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Para epidemiologista reabertura do comércio precisa de rigor na fiscalização

Mauro Sanchez, professor da UnB e vice-coordenador da sala de situação da instituição diz ser impossível fazer previsão sobre rumos da pandemia

Por Catarina Lima 30/03/2021 6h10

O epidemiologista Mauro Sanchez, professor da Universidade de Brasília (UnB) e vice-coordenador da sala de situação da instituição, diz ser impossível fazer uma previsão da situação da pandemia de coronavírus no Distrito Federal até o final do primeiro semestre deste ano. Ele acredita, no entanto, que até julho, com a continuidade da vacinação dos grupos prioritários e o aumento da conscientização da população com relação ao uso de máscaras, higiene e distanciamento social, será possível evitar a superlotação das unidades de saúde, mesmo com a flexibilização das atividades econômicas.

Sanchez analisou a reabertura do comércio do DF, que aconteceu na última segunda-feira, depois de um mês fechado para que fosse possível reduzir a taxa de transmissão do coronavírus. “Se fosse do ponto de vista puramente da saúde não seria o momento de abrir o comércio. Mas hoje é impossível dissociar saúde de atividade econômica. Depois de tanto tempo de pandemia temos que levar em consideração os efeitos dos prejuízos causados à atividade econômica, aos empregos. Neste momento, o que é possível e aceitável é a abertura do comércio, mas monitorando muito de perto a taxa de transmissão do vírus e a capacidade do sistema de absorver as pessoas que vão se infectar”, disse o epidemiologista.

O professor explicou que a taxa de transmissão vinha numa tendência de ligeira queda nos últimos dias por conta do fechamento parcial do comércio. Essa queda no indicador permitiu a flexibilização do distanciamento. “Mas não é uma situação confortável, nem de longe é confortável. É preciso tomar muito cuidado com os indicadores de saúde, mas também fazer uma campanha de conscientização muito forte para que as pessoas continuem a aderir a todas as maneiras de controle não farmacológicas que sabemos que são efetivas, com distanciamento, proteção e uso de álcool. Mauro Sanchez chamou atenção para a necessidade de fiscalização do cumprimento dos horários de funcionamento de cada setor, de acordo com o estabelecido em decreto do governo do DF.

Continuidade do isolamento

Para Sanchez um verdadeiro lockdown só seria possível se houvesse uma rede de proteção econômica eficiente para atender aquelas pessoas que perderiam seus empregos com o fechamento prolongado dos estabelecimentos. “As que trabalham hoje para ter o dinheiro amanhã não têm condições de enfrentar um lockdown efetivo por tempo prolongado. Mas para evitar um abre e fecha deve-se desde já mobilizar esforços para que a proteção econômica seja planejada, para que se for necessário um lockdown a população tenha condições de atender ao chamamento do Executivo”.








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