Mariana Laboissière
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Esquecimento e abandono. Independentemente da opção, essa é a situação de muitos pacientes internados em hospitais da Rede Pública de Saúde do Distrito Federal. Alguns são forasteiros que buscam no Distrito Federal um tratamento, outros têm idade avançada, problemas de memória e por aí vai. O fato é que essas pessoas – entre duas e cinco por mês – não são visitadas ou resgatadas pelos familiares. Há inclusive casos de alcoólatras, moradores de rua que, apesar dos esforços da área de Serviço Social das unidades, não têm qualquer parente localizado.
Especialistas e profissionais da área apontam que grande parte dos casos diz respeito a pessoas que, antes mesmo de chegar ao hospital, já não tinham vínculo familiar ou, há muito, tinham perdido o contato com os parentes. Há situações em que a família é localizada, entretanto, acaba não indo buscar o paciente. Essas ocorrências têm forte relação com as condições financeiras dessas pessoas, uma vez que elas veem no Sistema a salvação para as despesas com um doente.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), atualmente, o sistema possui em registro apenas duas pessoas em situação de abandono nos hospitais da região. Um deles é José Senadias de Lima, 53 anos, hoje desempregado. Antes de ir parar no Hospital Regional do Guará (HRGu), ele passou pelo Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Vítima de atropelamento, José acabou paraplégico. “Foi num dia em que eu embebedei no Cruzeiro. Não sei se foi um bandido ou um carro que me acertou”, relata. “Agora estou aqui, mas quero ficar bom. Não casei, não tive filhos, e vim para Brasília em 84. Aqui, trabalhei de servente de obras e jardineiro, mas vivia por aí bebendo”, completa.
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