Da Redação
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Em uma era onde a produção em larga escala de produtos padronizados pelas linhas de montagem ganha cada vez mais espaço, comerciantes da Octogonal prezam pelo trabalho artesanal. Não importa se é comida, uma pintura ou um objeto, o princípio é o mesmo: fazer com as próprias mãos. E o mais importante, ser feliz com o que faz. Um centro de artes plásticas, uma confeitaria e uma oficina de aviões fazem do comércio da entrequadra 1/2 um lugar diferente e especial.
“Escolhi pela localização. É perto da minha casa, venho trabalhar de bicicleta, além disso é perto de onde ministro as aulas”, afirma Ronaldo de Souza Sardinha, instrutor de voo, piloto e fabricante de aeromodelo. Sardinha, como é mais conhecido, tem uma oficina na entrequadra. Usando madeira balsa e fibra de vidro ele fabrica aviões, que são réplicas de modelos que já existem. Apenas o motor e o controle remoto são industrializados. “Desde o molde, corte e pintura até a montagem, tudo é manual”. Segundo Sardinha, ele começou com a sua paixão por voar. “Voei antes mesmo de tirar carteira de motorista”. A loja está instalada na quadra há 16 anos. “Aqui é tudo muito próximo e seguro”, ressalta.
Entre os proprietários de estabelecimentos comerciais a opinião é unânime: o local é seguro e bem localizado. A artista plástica Schirley Indige diz que é como se fosse sua casa. “Já estou instalada aqui há 19 anos. Antes era um ateliê, hoje um centro de artes”. Para Schirley, os moradores da Octogonal são bons apreciadores de arte. “Quando estou pintando percebo que as pessoas param e ficam admirando os quadros expostos, ou mesmo o que eu estou pintando”, disse. Com 74 anos de idade e 60 de profissão, Indige é autodidata e hoje ensina técnicas de pintura a óleo, pastel, aquarela, nanquim, desenho artístico e faz preparatórios para arquitetura. “A gente consegue ver nos olhos dela o carinho com que pinta. Além da técnica que possui para pintar, ela é a alegria desse lugar” conta a bancária Karla Morelo, que frequenta o lugar.
Tradição
“Hoje tudo é muito industrializado. Quadros, em sua maioria, foram substituídos por fotos, comidas por fast-food e os brinquedos são, cada vez mais, eletrônicos. Aqui a gente consegue encontrar o jeitinho caseiro, o famoso feito à moda antiga”, ressalta Luísa Olanda, que é moradora da região há 20 anos.
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