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Brasília

Obras do Parque dos Bosques no Sudoeste estão suspensas

Arquivo Geral

04/04/2012 21h40

Kelly Ikuma

kelly.ikuma@jornaldebrasilia.com.br

 

Os moradores do Sudoeste vão ter de esperar mais para usufruir do Parque dos Bosques. Isso porque as obras estão paralisadas, por decisão do Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que proibiu o GDF e as empreiteiras envolvidas na expansão do setor, nas quadras 500, de  quaisquer procedimentos visando sua ocupação. Eles alegam que o processo de urbanização pode resultar em “prejuízos de difícil ou impossível reparação do Patrimônio Público e ao Erário”.

 

No local onde seria construído o Parque do Bosque restam apenas os entulhos da obra, que já estava em fase final. De acordo com arquiteto da empreiteira Oeste-Sul – responsável pela expansão – Alex Burton,  faltavam apenas 5% para que a área fosse entregue à população. “Estamos gastando mais com a obra parada do que se a continuássemos. Tivemos que romper contrato com empresas terceirizadas e isso gera um custo muito grande. Mas como é uma decisão da Justiça, estamos de mãos atadas”, afirma.

 

Alex Burton explica que eles começaram o projeto de construção das quadras 500 pelas compensações ambientais estabelecidas pelo Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram). Mas, de acordo com ele, se não for permitida a construção das quadras, ele ainda não sabe se as contrapartidas serão finalizadas pela construtora. Um grande desperdício, segundo Alex, que explica que o parque teria quadras poliesportivas, parque infantil, circuito destinado a idosos, banheiros públicos e outros benefícios.

 

A farmacêutica Aline Gregório, 34, moradora do Sudoeste, corre todos os dias ao redor do Parque do Bosque e já estava fazendo planos para quando o local estivesse pronto. “Como as obras estavam bem adiantadas, pensei que fosse questão de dias ele ser aberto à população. Do jeito que está, venho caminhar apenas durante o dia, pois não tem segurança além de ser pouco iluminado. Lamento a paralisação das obras”, disse. O professor de educação física Kanisson Ramil, 26, compartilha da mesma opinião e revela que “era melhor eles permitirem a construção dessas quadras do que outros continuarem a invadir o setor Noroeste”.

 

Mas o comerciante da quadra em frente ao futuro projeto, Osmir da Cunha Caixeta, 52, apesar de ter ficado triste ao ver o parque inacabado, revela que é contra a projeção residencial. “Concordo com a Justiça quando eles falam que a construção irá prejudicar o meio ambiente. Prefiro deixar de ganhar dinheiro com os novos moradores do que acabar com a área verde. Mas acho que os parques devem ser finalizados independentemente de quem for o escolhido, pois trará benefícios para toda a comunidade local”, disse.

 

O administrador do Setor Sudoeste, Marcelo Siciliano, disse que eles estão aguardando a decisão da Justiça e vão seguir à risca o que eles definirem. Ele revela ainda que as obras de compensação são muito importantes para a população e que a ideia é que elas sejam finalizadas ainda esse ano. “O Parque do Bosque ficaria pronto em no máximo 60 dias e a ciclovia já está pronta. As obras do Parque do Sucupira ainda nem tinham começado. Esses projetos serão finalizados, mesmo porque fazem parte do programa do governo”, disse.

 
No projeto das quadras 500 está prevista a construção de 22 prédios residenciais e seis comerciais para abrigar quatro mil moradores. Na lista de compensações a serem cumpridas pela Oeste-Sul estão também alargamento de pistas, plantio e manutenção de árvores e a construção dos parques do Bosque e do Sucupira. A empreiteira desembolsaria cerca de R$ 30 milhões no pacote de melhorias.

 

No último dia 19, o Tribunal de Contas do Distrito Federal manteve a decisão cautelar que havia determinado a suspensão da criação e ocupação da quadra 500 do Setor Sudoeste. O projeto de expansão é alvo de diversas ações judiciais e, de acordo com o Ministério Público do DF, a urbanização da área fere artigos da Lei Orgânica distrital que impedem a criação da nova quadra nas proximidades do Eixo Monumental.

 

O MP chegou a ajuizar ação civil pública contra a expansão do setor em outubro de 2010 e alega que a ocupação da área “pode acarretar em prejuízos de difícil ou impossível reparação ao patrimônio público, ao erário e à população, ao se considerar o início de obras em uma área onde não se pode edificar”. Em julho do ano passado, a Justiça Federal confirmou liminar concedida pela Vara do Meio Ambiente do Distrito Federal, em janeiro de 2010, proibindo qualquer obra de expansão do Setor Sudoeste.

 

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