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Brasília

Número de detentas triplicou nos primeiros meses do ano

Arquivo Geral

24/06/2012 7h24

Carlos Carone
carone@jornaldebrasilia.com.br

Quase sempre, elas caem por amor. Às vezes, por submissão ou até devoção a seus companheiros. Elas são mulheres envolvidas pelo mundo do crime, que abandonam filhos pequenos e afazeres domésticos para traficar, roubar e matar se for preciso. O Distrito Federal vive uma “feminização” do crime comprovada por uma série de fatores, entre eles o volume de mandados de prisão cumpridos pela Polícia Civil nos primeiros cinco meses deste ano. O número chegou a 400 detenções e triplicou em relação ao mesmo período do ano passado, quando 122 mulheres foram parar atrás das grades, de acordo com dados da Delegacia de Capturas Policiais Interestaduais (DCPI).

Como um termômetro, o Presídio Feminino do DF (PFDF), também chamado de Colmeia, no Gama, comprova a incidência de crimes praticados por mulheres. O tráfico de drogas impera entre as detentas. Ao todo, 475 mulheres, ou 66% da massa carcerária feminina – formada por 720 presidiárias –, foram detidas por tráfico. “Destas, podemos dizer que 35% foram presas por tentar entrar na Papuda carregando drogas para entregar aos maridos, namorados ou até para os próprios filhos”, afirmou a diretora do presídio feminino, delegada Deuselita Pereira Martins.

 

Além do tráfico, existem outros dois crimes que explicam o motivo pelo qual o sistema penitenciário feminino está sobrecarregado. Outras 144 internas foram presas por roubos diversos e o restante responde por furto. Mais do que a natureza criminal, a faixa etária ajuda a definir um padrão e o perfil das brasilienses que devem à Justiça. Atualmente, 280 internas têm entre 18 e 25 anos. O segundo grupo mais populoso, com 177 presidiárias, tem entre 31 e 40 anos de idade, seguido pelas 149 mulheres que estão na faixa etária entre 26 e 30 anos.

 

A diretora do presídio ressalta que, nos últimos meses, os crimes praticados pelas condenadas ficaram mais graves. Elas deixaram de responder apenas por associação ao tráfico ou por posse de crack. “Temos internas que tinham conexões até com o PCC (Primeiro Comando da Capital). Os crimes passaram a ser mais violentos e muitas vezes deixam o  papel secundário para assumir o de protagonista, como comandar pontos de venda de drogas”, destaca a delegada.
Hoje, a unidade está superlotada e, proporcionalmente, vive um inchaço maior do que  a Papuda. A cela onde ficam as presas provisórias virou um depósito de pessoas. Onde deveria ter 12 mulheres existem 49, mais de três vezes da capacidade.

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