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Número de autônomos diminui no DF

Cerca de 6 mil pessoas perderam seus negócios no DF de dezembro até janeiro deste ano

Cezar Camilo
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A Pesquisa de Emprego e Desemprego do Distrito Federal (PED), divulgada pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), nesta terça-feira (23), demonstrou queda no número de trabalhadores autônomos em janeiro de 2021.

Cerca de 10 mil pessoas deixaram o emprego independente, com perda de 4,1% de profissionais no segmento durante a passagem de ano. Para aqueles classificados nas demais posições, onde estão incluídos os empregadores, donos de negócio familiar, trabalhadores familiares sem remuneração, profissionais liberais e outras posições ocupacionais, a queda foi maior, -5,8% – cerca de 6 mil pessoas fora dos negócios.

Entre novembro e dezembro de 2020, o rendimento médio real de ocupados assalariados aumentou 4,3% e chegou a R$ 3.940. Entre os trabalhadores sem salário fixo, o aumento na renda média corresponde a 1,8%, batendo R$ 4.498. Porém, o segmento que mais aumentou os ganhos foi os trabalhadores autônomos, com cerca de 7,6% de aumento no rendimento médio. Mesmo assim, a cifra desta última categoria continua sendo a menor dentre o grupo, cerca de R$ 2.004 na média mensal.

“O mercado de trabalho apresenta um cenário de estagnação. As oportunidades de trabalho são muito difíceis e a estabilidade no nível de desemprego do DF cria uma perspectiva preocupante, menos pessoas estão procurando uma colocação”, ressalta a técnica do DIEESE Lúcia Garcia.

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A pesquisa de janeiro demonstrou uma relativa estabilidade na População Economicamente Ativa (PEA) da região metropolitana, entre aqueles que trabalham ou procuram um posto. Segundo o DIEESE, a estabilização no número de possíveis trabalhadores apresenta um viés negativo frente a diminuição de postos de trabalho disponíveis. “Ao invés de gerar empregos, reduzimos a oferta. Lembrando que Brasília tem uma característica excepcional: a forte presença do emprego público. Mas não vemos um crescimento desse setor com a frequência necessária, o que torna a economia do DF menos dinâmica”, explicou a técnica.

Cidade empreendedora

A alta renda per capita no Distrito Federal e as compras públicas – ou seja, as negociações que envolvem os estados e o governo federal – ranquearam a capital do país entre as cinco cidades com maior índice de empreendedorismo do Brasil durante o ano passado. O Índice de Cidades Empreendedoras (ICE), publicado no início de fevereiro pelo instituto de pesquisa Endeavor em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (Enap), analisou o ambiente regulatório, a infraestrutura e o mercado local das áreas urbanas mais populosas do país.

São Paulo é a cidade que reúne as melhores condições para empreender. Florianópolis (SC) e Osasco (SP) aparecem em segundo e terceiro lugar, respectivamente. Completam a lista dos dez municípios mais empreendedores Vitória (ES), Brasília (DF) – na quinta colocação – São José dos Campos (SP), São Bernardo do Campo (SP), Jundiaí (SP), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ). Para avaliar os municípios, o estudo analisou a proporção de mestres e doutores em ciência e tecnologia, investimentos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos),número de patentes registradas, entre outros critérios.

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Em relação à propensão de abertura de novos negócios, Brasília está em terceiro lugar no conjunto de indicadores de Desenvolvimento Econômico. O segmento analisa as expectativas sobre o poder de compra da população residente. “É necessário que haja um mercado consumidor para comprar os produtos ou contratar serviços para que as empresas cresçam, gerando mais empregos e desenvolvimento local”, explica o relatório.

“Todas são cidades do interior que apresentaram fortes indicadores de desenvolvimento econômico. Essas cidades citadas são pólos de atração para novos negócios, sendo uma alternativa às cidades maiores”, aponta a Enap . Apesar da boa colocação de Brasília , a cidade ocupou o 100º lugar no indicador relativo à proporção de empresas compradoras, apontando para o Estado como maior cliente potencial da cidade, por intermédio das compras públicas – ou seja, há pouca diversidade na clientela da capital.

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