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Brasília

Multidão compareceu ao enterro de vítimas de acidente em Santo Antônio

Arquivo Geral

19/11/2011 7h36

Bruna Sensêve
bruna.senseve@jornaldebrasilia.com.br

Foto: Raphael Ribeiro

 

Perto de 1,5 mil pessoas estiveram no Cemitério Campo da Paz para se despedir das vítimas do acidente com o ônibus da empresa El Shadai, que matou dez pessoas e feriu outras 32, na Serra da Mantiqueira, em São Paulo. Antes disso, uma multidão se aglomerou em  frente ao Santuário do Glorioso Santo Antônio, em Santo Antonio do Descoberto, na Região Metropolitana do Distrito Federal, onde vivia a maioria das vítimas. A cidade encerrou ontem o período de três dias de luto oficial, mas o clima ainda é desolador. Muitos comerciantes permanecem com as portas fechadas e as escolas só devem receber os alunos a partir de segunda-feira.

 

 

Não foi possível calcular a quantidade de fiéis e amigos que passaram pela igreja durante o velório, que varou a madrugada e terminou às 8h40 de ontem, quando os corpos começaram a ser conduzidos ao cemitério. O padre Marcelo José afirma que, após as últimas despedidas e ritos, a igreja inicia um trabalho de orações diárias nas casas das famílias das vítimas, que deve durar uma semana. “Não sabemos como faremos agora, já que nunca tivemos um número tão grande de vítimas de uma só vez.” A tragédia abateu toda a população precisamente pelo elevado número de feridos e mortos.

 

Antônio Ribeiro dos Santos, 82 anos, mora na cidade há pelo menos 40 anos e diz que nunca houve tragédia maior para a população. “Conhecia o Deocílio (motorista da prefeitura morto no acidente) há muito tempo, assim como os outros. Nessa cidade todos se conhecem. É a primeira vez que vejo uma tragédia desse tamanho”, diz, inconsolável. A recepção planejada pela prefeitura no cemitério não pôde ser realizada devido ao volume enorme de pessoas que acompanhava o comboio funerário. Os corpos começaram a ser sepultados por volta de 9h30 e os rituais foram encerrados cerca de uma hora depois. Enfermeiros e médicos voluntários, além da equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ficaram posicionados no caso de qualquer ocorrência. O maior temor era com o elevado número de  feridos no acidente que compareceram ao local e podiam ter seu estado agravado pelas fortes emoções.

 

 

homenagens

 

 

O sepultamento de Deocílio Alves Rabelo foi o que mais levou pessoas ao Cemitério Campo da Paz. A multidão foi tal que precisou ser separada dos outros funerais. Ele era funcionário da prefeitura da cidade e trabalhava na feira nos fins de semana. Durante a cerimônia, um berrante foi tocado por amigos que consideravam o instrumento sua marca registrada. Os presentes também entoaram músicas religiosas, pois uma de suas maiores características era a organização dos eventos da igreja. Chamado de “festeiro”, ele ajudou a organizar a tradicional Festa de Santo Antônio nos últimos dois anos. Era também  o guia turístico da viagem.

 

Outro momento bastante comovente foi o enterro da menina Lara Gabrieli de Sá, de três anos. O pai da criança, Fabrício Santana, precisou da ajuda dos familiares para acompanhar toda a cerimônia. A mãe Lucélia Santana chegou à cidade, junto com outros 14 sobreviventes, na noite de quinta-feira. Mesmo precisando permanecer em observação no Hospital de Taubaté por mais dez dias, ao saber da morte da filha decidiu voltar à cidade goiana. Ela deu seu último adeus durante o velório, conduzida de cadeira de rodas devido aos ferimentos, porém não conseguiu permanecer para o sepultamento.

 

Leia mais na edição deste sábado (19) do Jornal de Brasília.

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