Francisco Dutra
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“Agente evita a cascavel para encontrar com uma sucuri bem na frente”, reclamou o servidor público Teruz Silva, 56 anos, ao utilizar as degradadas passagens subterrâneas de Brasília e escapar da perigosa travessia sobre o movimentado Eixão. Assim como Silva, outros 120 mil cidadãos são forçados a escolher entre o risco do atropelamento e as perigosas 16 travessias subterrâneas do Plano Piloto. Sujos, fétidos e mal iluminados, os trechos oferecem livre passagem para criminosos, usuários e traficantes. E não estão previstas grandes mudanças até abril.
Todos os dias, Silva se vê forçado a utilizar uma delas no início da Asa Sul, que liga o Banco Central ao Hospital de Base do DF. Enquanto fazia a travessia na tarde de ontem, ele disse que após a morte de dois colegas de trabalho por atropelamento no Eixão, pesou os prós e os contras e optou pelo risco das passagens.
“Tenho medo de passar aqui. Ainda mais à noite. E olha que sou grão-mestre em taekwondo”, confessou. Para Silva, os trechos precisam de policiamento e a adoção de outras medidas de segurança. “O governo diz que vai colocar policiais até as 20h. Mas o perigo é depois desse horário”, reforça. Por isso, após esse horário muitos pedestres apostam na travessia sobre o Eixão.
Desconforto
Entre as 14h30 e 15h, a travessia pela passagem era um convite ao desconforto. Pichação, trechos escuros, goteiras e muita sujeira. Com a chuva, o mau cheiro de dejetos humanos levava os cidadãos a tapar o nariz. “Esta muito sujo. Dá nojo”, queixou-se a bancária Naiane Pereira, 25 anos. Diariamente, ela se depara com fezes e urina deixadas por indigentes e usuários de drogas.
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