O Núcleo de Atenção às Vítimas (Nuav), do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), em parceria com o curso de Psicologia do IESB, iniciou um grupo reflexivo sobre luto voltado a familiares de vítimas de feminicídio, homicídio e outros crimes com resultado morte.
O primeiro encontro ocorreu na última quarta-feira, 20 de maio, e reuniu participantes em um ambiente de escuta, acolhimento e fortalecimento de rede de apoio. Os encontros passam a ocorrer semanalmente, em formato online, e as participantes são submetidas a uma triagem prévia conduzida por estagiárias de Psicologia, sob supervisão do professor orientador.
Durante o primeiro semestre deste ano, as estudantes atuaram em atendimentos do Amparar, programa do MPDFT voltado ao acolhimento e acompanhamento de vítimas de violência e seus familiares, além de participarem de capacitações sobre a pauta vitimária, com foco na escuta qualificada e no acolhimento. A partir dessa formação prática e teórica, as alunas desenvolveram a metodologia do grupo.
A coordenadora do Nuav, promotora de Justiça Thaís Tarquinio, afirmou que a parceria fortalece a aproximação do Ministério Público com a comunidade acadêmica e apresenta aos estudantes a realidade enfrentada pelas vítimas no contato com o sistema de Justiça. Segundo ela, a união entre Direito e Psicologia é fundamental nesse processo, e as alunas tiveram papel essencial na construção do grupo reflexivo, que permanecerá como legado para o Ministério Público.
A professora Hannya Herrera Cardona, responsável pelos estágios do curso de Psicologia do IESB, disse que a parceria aproxima a formação acadêmica da realidade vivenciada pelas vítimas e familiares atendidos pelo sistema de Justiça. Ela destacou que a iniciativa permite aos alunos contato direto com a prática profissional, desenvolvendo habilidades de escuta, acolhimento e intervenção psicológica em contextos reais de vulnerabilidade e violência.
As estudantes também destacaram a experiência. Isabela Ribeiro afirmou que o grupo foi pensado e executado como um espaço de acolhimento e rede de apoio para vítimas que sofreram perdas de forma violenta. Já Maria Clara Valadares ressaltou o potencial da troca de experiências entre as participantes e disse que falar sobre o luto em grupo possibilita perceber que elas não estão sozinhas na dor, favorecendo identificação, escuta e fortalecimento coletivo.
*Com informações do MPDFT