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Brasília

Motorista do ônibus afirma que organizador da viagem sabia de problema com PRF

Arquivo Geral

19/11/2011 7h10

Isa Stacciarini
isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

 Foto: Minervino Júnior

 

 

Após três dias do acidente com romeiros de Santo Antônio do Descoberto, o motorista Isaque Correia de Almeida, 55 anos, retornou a Brasília. Em uma casa simples do Condomínio Pôr do Sol, em Ceilândia, o sócio da empresa de ônibus El Shadai apresentou a sua versão sobre o acidente e os momentos que antecederam à viagem.

 

Segundo o condutor, após o veículo ser parado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Valparaíso, foi feita uma ligação para o dono da empresa  LD Turismo, responsável pela excursão.  De acordo com Isaque, Edmilson dos Santos, 49 anos, conhecido como Dikas, o  orientou a prosseguir com a viagem.

 

 “Disse tudo para ele, que o policial constatou que o nome de uma das passageiras não estava na lista dos usuários e que o veículo não constava como registrado na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)”, afirmou. No entanto, apesar do relato, Isaque afirmou que foi aconselhado a seguir o caminho. “Ele comentou que os passageiros compraram a passagem com antecedência e que a viagem  tinha que ser realizada. O Dikas falou que eu tinha que arrumar um desvio, indo por Goiânia ou Caldas Novas”, explicou.

 

De acordo com o motorista, o dono da LD Turismo o orientou a falar aos passageiros apenas que o ônibus foi parado porque o nome de uma das passageiras não constava na lista. “Ele disse para eu não falar sobre o registro na ANTT para não assustar o pessoal. Foi o que eu fiz e todos concordaram em seguir a viagem”, esclareceu.

 

Ainda segundo o condutor do ônibus,  foi estipulado pela PRF um prazo de duas horas para a empresa conseguir outro transporte. De acordo com Isaque, foi quando houve um contato com a El Shadai com o objetivo de tentar seguir viagem com outro ônibus, no entanto, segundo o motorista, todos os veículos estavam fora de Brasília. “O Dikas era o comandante e quem mandava na situação. Se ele falasse para eu não continuar, prontamente eu voltaria”, alegou.

 

Ainda muito abalado, durante a entrevista Isaque reforçou, por diversas vezes, que não estava responsabilizando Edmilson pelo acidente. Para ele, foi uma fatalidade.

Negativa

 

O empresário Edmilson dos Santos, entretanto, nega que tenha mandado Isaque prosseguir viagem. De acordo com o dono da LD Turismo, as únicas orientações foram para acrescentar o nome da passageira na lista de usuários e aguardar o próximo passo. “Após o percurso, pode inserir mais quatro passageiros na lista e foi isso que eu expliquei a ele”, declarou. “Também falei para o motorista esperar, pois a PRF iria mandar providenciar um transbordo ou poderia liberar para a viagem, aplicando uma multa”.

Para Edmilson, a responsabilidade de continuar o percurso foi do próprio condutor. Segundo o empresário, ele não tem autonomia de mandar prosseguir a viagem ou ir para outro caminho. “A minha parte foi só contratar a empresa”, disse.

 

Leia mais na edição deste sábado (19) do Jornal de Brasília.

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