Bruna Sensêve
bruna.senseve@jornaldebrasilia.com.br
Das 465 mortes no trânsito do Distrito Federal, em 2011, 20,4% eram motociclistas e 7,5% eram ciclistas. Apesar do automóvel ser o veículo que mais se envolve em acidentes, com 53,13% das ocorrências, os motociclistas podem ser considerados as maiores vítimas.
Mais de cinco mil pessoas feridas e mortas no trânsito ocupavam uma moto, em 2011, o equivalente a 45,35% do total de vítimas durante o ano passado. A fragilidade daqueles que utilizam a bicicleta ou a moto como meio de transporte é gritante. Falta a eles a armadura que protege o motorista e seus passageiros na guerra das ruas.
Francisco Fernandes, 25 anos, conhece bem a realidade. Ele trabalha como motoboy há cinco anos e luta para não mais exercer a função. “Saio de casa todos os dias sem saber se volto. Por isso, eu sempre rezo. A minha vida é uma corrida”, declara. Há alguns anos, ele perdeu um amigo para o trânsito da capital. Durante uma das entregas, a moto foi de encontro a um automóvel e a força da batida foi suficiente para que o motoboy não suportasse o impacto, vindo a falecer poucas horas depois. Francisco também já envolveu-se em uma colisão de menor proporção.
Um carro teria avançado em uma via preferencial ao motoboy, que não conseguiu frear prontamente e bateu. Felizmente não sofreu qualquer ferimento. O susto, no entanto, foi o suficiente para que estivesse ainda mais alerta durante o trabalho. Francisco passa cerca mais de 12 horas rodando pelo Plano Piloto, além do percurso que o traz e leva a Valparaíso, onde mora. “Se batermos em um carro quem leva a pior, com certeza, é a gente. Sinto que existe irresponsabilidade dos dois lados. Os motoristas não respeitam a moto e os motociclistas são extremamente imprudentes”, avalia.
Desvantagem masculina
No ano passado, foi registrada uma média de quase oito motociclistas mortos a cada mês. Em acidentes envolvendo moto, 77% das vítimas fatais foram os próprios motociclistas, em segundo lugar passageiros de outros veículos (10%).
O sexo masculino representa praticamente a totalidade dessas mortes, com apenas duas mulheres que foram a óbito conduzindo uma motocicleta. E eles são jovens, a maioria entre 20 e 39 anos. As DFs são as mais perigosas, com praticamente 50% dos acidentes com morte envolvendo moto. Nas BRs o percentual é parecido, 40,7%, frente a 11,5% das vias urbanas.
Leia mais na edição deste domingo (8) do Jornal de Brasília.