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Brasília

Mortos na colisão em SP são velados em Santo Antônio do Descoberto

Arquivo Geral

17/11/2011 22h00

Kamila Farias e Bruna Sensêve
redacao@jornaldebrasilia.com.br

Foto:Raphael Ribeiro

Mais de 50 horas depois do acidente, os corpos de nove passageiros mortos na colisão finalmente chegaram a Santo Antônio do Descoberto. Ao som da marcha fúnebre, quase três mil pessoas aguardaram até 22h de ontem, em frente à igreja da cidade, para prestar sua homenagem. As primeiras duas horas após a chegada foram de grande comoção.

 

Em um velório coletivo organizado no Santuário do Glorioso Santo Antônio, os parentes ficaram isolados e  a entrada da população foi liberada  somente até a metade da igreja. Os corpos serão enterrados nesta sexta-feira (18), às 9h, no cemitério da cidade. Três  foram levados diretamente ao cemitério durante na noite desta quinta-feira (17) devido à condição dos corpos, pois teriam sido esmagados pelo ônibus. Os caixões, mesmo no velório, não foram abertos.

Campo da Esperança

Apenas o corpo de Fernanda Peixoto, 11 anos, não seguiu Santo Antônio do Descoberto. Ela possui família em Samambaia e o pai teria buscado o corpo da criança em São Paulo. Fernanda foi enterrada no Cemitério de Taguatinga, às 17h de ontem. Não havia informações sobre o estado de saúde da mãe, que permanecia hospitalizada, sem saber da situação da filha até a noite de quarta-feira. Os corpos do  casal Josefa Maria da Conceição e Jercino José da Silva também foram encaminhados ao cemitério da cidade goiana e não participaram do velório coletivo. Os dois foram enterrados no mesmo jazigo, às 20h de ontem, no Cemitério de Santo Antônio do Descoberto.

 

 O enterro das outras sete vítimas acontece nesta manhã. Lara Gabrieli Santana, Sônia Pereira, Izabel Maria Pereira, Deocílio Alves Rabelo, José Landoaldo Rezende, conhecido como Juquinha, e  Divina Alves Ferreira Uranir serão sepultados em jazigos das famílias, às 8h. Neusa da Silva de Oliveira será enterrada às 10h30, no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

 

Maria Aparecida de Lima e o marido Raimundo Nonato de Melo, sobreviventes do acidente, conta que saíram de Aparecida do Norte, às 14h50 de terça-feira. A chuva e o vento estavam intensos e o caminho parecia bastante perigoso. “Parecia que o ônibus estava engasgando. Paramos no posto de gasolina e alguns passageiros comentaram que ele tinha parado para colocar óleo de freio”, conta Raimundo. 

 
Medo

Assustado com a altura da estrada e o abismo que era projetado ao lado deles, Raimundo preferiu cobrir o rosto com uma toalha e assim estava quando bateram na serra. Maria Aparecida conta que o ônibus começou a ganhar muita velocidade, além do que achavam normal. Pouco antes da batida, muitos passageiros já gritavam para o motorista parar, quando o veículo desgovernou.

O casal ficou internado no mesmo hospital do motorista e indagou o motivo de terem colidido. “Ele falou que fez o que pôde. O ônibus desgovernou e perdeu a marcha, não entrou mais. Ele disse que, quando sentiu isso acontecer, teve que jogar o carro na serra para não cair no abismo porque não ia sobrar ninguém.” A atitude rápida do motorista Isaque Correa de Almeida também foi ressaltada por outro sobrevivente. O servidor do GDF Valdir Pereira, 60 anos, defende a ação do motorista mesmo passando por momentos ainda mais dramáticos. No acidente, ele perdeu a esposa, Izabel Maria Pereira, e a cunhada, Sônia Pereira.

 

Valdir conseguiu salvar a neta, Letícia Pereira, cinco anos, ao segurá-la em seus braços com força na hora da colisão. “Vi todo o procedimento da capotagem. Percebi quando o ônibus fez um barulho estranho e ficou solto. Pelo que vi ele foi muito profissional. Se não fosse o que ele fez, teria morrido 100% das pessoas”, diz. Mesmo acreditando que a atitude do motorista foi heróica ao tentar salvar os passageiros durante a colisão, ele confirma que a informação passada, no momento que foram parados pela PRF, era apenas o erro na identificação de uma passageira.

Leia mais na edição desta sexta-feira (18) do Jornal de Brasília.

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