Carlos Carone
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Acerto de contas, vingança e disputa entre gangues estão entre os fatores externos que motivam a maior parte das mortes de adolescentes que estão sob medida socieducativa, após cometerem atos infracionais. Pesquisa realizada pela Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e Juventude do DF aponta que de 257 casos de jovens entre 15 e 19 anos que morreram no período de um ano, 206, ou 80% do total, foram provocados por causas externas. Os demais, não foram vítimas de crimes violentos.
Durante o trabalho, a promotoria constatou a falência do sistema de atendimento aos adolescentes em conflito com a lei e o número acentuado de mortes de adolescentes que cumpriam medidas socioeducativas de internação, liberdade assistida e semiliberdade. O cenário alarmante foi confirmado por uma sequência de denúncias recebidas pela promotoria. Algumas delas apontavam, inclusive, para a questão do extermínio de alguns jovens.
As denúncias foram ouvidas por profissionais que atuam próximos aos pais dos adolescentes sob medida protetiva. Pais entrevistados relataram, com insistência, que os jovens são vítimas constantes de perseguições e ameaças que não são feitas apenas por desafetos pertencentes a gangues. “Foi ressaltado, ainda, que durante internação no Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje) é possível criar uma rede de inimigos entre os profissionais que lá trabalham, resultando em sua morte após sua saída para cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto ou desligamento efetivo da medida”, destaca o estudo.
Em relação ao número de assassinatos dos jovens em cumprimento de medida socioeducativa, a pesquisa aponta, ainda, que se for reduzida a faixa etária dos óbitos para intervalo de dez a 14 anos percebe-se que de 73 de mortes ocorridas, 36 foram por causas externas, o que representa 49,31% do total.
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