Gabriela Coelho
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“Eu não queria, mas precisava de dinheiro. Hoje, percebo que não vale a pena. Perdi minha família, meus amigos, minha vida e estou tentando retomar tudo. Quando acabar o tratamento, quero fazer uma faculdade e me tornar um advogado”, diz o rapaz. Mário Filho (nome fictício) foi apreendido por tráfico de drogas quando tinha 16 anos. Ele, que está em tratamento há um ano, conta que voltou a usar drogas mais uma vez, mas que agora quer voltar a estudar e ser alguém. O exemplo de Mário mostra que nem tudo está perdido. Com apoio psicológico e força de vontade, muitos jovens estão conseguindo se afastar das drogas e da vida nas ruas.
Para que isso ocorra, porém, é necessário desenvolver projetos que estimulem a recuperação. Como o Jornal de Brasília vem mostrando na série Juventude no Crime, especialistas questionam o modelo de ressocialização em vigor no Distrito Federal e defendem que mais projetos esportivos e de capacitação técnica para estes jovens sejam desenvolvidos.
Aos 17 anos de idade, João da Silva (nome fictício) é outro que mostra que é possível buscar um novo caminho. Com 15 anos o adolescente foi acusado de tentativa de homicídio e ficou um ano cumprindo medida socioeducativa com privação de liberdade em uma das instituições mantidas pelo governo. Atualmente, ele faz acompanhamento psicológico e já planeja o futuro. Ambicioso, ele quer ser diplomata. “Antes de ser preso trabalhei no tráfico de drogas e roubei. É uma coisa que você faz e só percebe o problema depois. Tenho vontade de ter minha família perto de mim outra vez”, relata.
A psicóloga Martha Manin explica que a preocupação em relação à elaboração de medidas socioeducativas se deve ao fato de o menor ainda ser um indivíduo em processo de construção da personalidade. “Ele pode cometer algum delito, mas ainda pode ser resgatado para uma sociedade justa no futuro.”
Leia mais na edição deste domingo (13) do Jornal de Brasília.