Augusto Pontual
Augusto.pontual@jornaldebrasilia.com.br
Avicultores do Distrito Federal fizeram uma manifestação em frente à sede do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), na manhã desta quarta-feira (25). A ação foi organizada pela Associação dos Avicultores do Distrito Federal (AVIPLAC) e pelo Sindicato dos Avicultores do Distrito Federal (SINDIAVES) e questiona a forma como vem sendo negociada a venda dos ativos da Sadia (Brasil Foods) para a Marfrig, no DF.
A manifestação contou com carro de som, narizes de palhaço, bombas, apoio de boiadeiros montados e o mais curioso, mil pintinhos que foram dados a quem passava. De acordo com os organizadores da AVIPLAC, o objetivo de distribuir as aves é chamar a atenção para a forma como funciona a cadeia produtiva.
A negociação entre os dois grupos, Brasil Foods e Marfrig, é decorrente de uma decisão do Cade, para que seja possível haver a fusão das marcas Sadia e Perdigão. Para aprovar a operação, o conselho exigiu que uma série de condições sejam cumpridas, entre elas a venda de um número de ativos da Brasil Foods, dos quais consta a célula do DF.
Os manifestantes disseram que não são contra a negociação, mas pedem participação no debate para que não corram o risco de serem lesados com a venda. “Não somos contra o acordo, somos contra a forma como está sendo feito”, afirmou o presidente da AVIPLAC, Fernando Cezar Ribeiro. Ele explicou que a categoria teme uma queda nas condições de trabalho, já que a Sadia, segundo ele, possui a melhor tecnologia de avicultura do Brasil e que a Marfrig, tende a ser inferior. Ribeiro, que além de avicultor é engenheiro formado e possuí uma empresa de assessoria, afirma não ser capaz de sobreviver apenas com o que recebe hoje com a produção avícola.
A Marfrig, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que não pode fornecer declarações sobre as questões colocadas pelos avicultores do DF, pois ela ainda não é dona da empresa. Segundo informou a assessoria, o grupo apenas entrará na discussão quando a transação for aprovada. Os representantes da categoria se reunirão com conselheiros e com o presidente do Cade, na parte da tarde, para apresentar suas demandas e reivindicações.
Como funciona o sistema de avicultura brasileiro
No Brasil se utiliza um sistema chamado Sistema de Integração Vertical, no qual os produtores precisam possuir o terreno, para instalação dos galpões de armazenamento das aves, mas a empresa contratante é responsável por fornecer os pintos, o maquinário, a ração, vacinas, e assistência técnica. Dessa forma, é possível que o pequeno empresário possa ter acesso a tecnologias mais avançadas, do que teria se trabalhasse sozinho. No entanto, o percentual de lucro que os avicultores têm, por ave vendida, é mínimo.
Segundo o avicultor, Witem Dias, 49, os produtores recebem apenas 8% do preço do frango vivo, valor que gira entre 48 e 52 centavos. Esta remuneração, segundo Dias, muitas vezes não é o bastante para que os pequenos empresários possam arcar com os custos que têm com a confecção do galpão. Já Donizete Mariano, 56, afirmou que o custo médio de instalação de um galpão é de R$ 350 mil.
Segundo Mariano, “este sistema é bom, mas precisa ser aperfeiçoado”. Os manifestantes questionaram que neste sistema, muitas vezes, o produtor acaba ficando nas mãos da empresa contratante e que a condição financeira não compensa.