Francisco Dutra
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Pedofilia. Palavra que passou a assustar ainda mais as famílias do Distrito Federal, após a divulgação das investigações de dois casos suspeitos: o padre que teria abusado de seis crianças e o pedreiro que confessou ter abusado e matado uma menina de nove anos. Segundo levantamento do Centro de Referência em Violência Sexual (Cerevs), da 1ª Vara da Infância e da Juventude do DF, nestes casos o perigo esconde-se bem aos olhos das famílias. Ao analisar 88 casos, o estudo apontou que 79,55% dos abusos foram realizados dentro do ambiente familiar.
“Na maioria dos casos o abusador conhece a família e faz parte de sua convivência. Pode ser o pai, padastro e até o avô”, explicou a professora de psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB) Lívia Borges, que participou da confecção de uma cartilha de enfrentamento à pedofilia para a Polícia Militar do DF. A análise encontra eco na pesquisa do Cerevs, pois o estudo aponta que 22,9% dos abusadores são pais, enquanto 33,72% são padrastos das pequenas vítimas. Outros 5,81% não têm vínculo familiar com os abusados.
Lívia ressaltou que apesar da figura masculina ser mais frequente como autora desses crimes, também existem casos em que há participação mulher, seja como autora ou como parceira no crime por omissão.
Segundo a pesquisadora, não existe um perfil clássico para o pedófilo e, geralmente, é uma pessoa distante de qualquer suspeita. O estudo do Cerevs apontou, por exemplo, que apenas 8,14% admitiram o uso de drogas ilícitas. O pedófilo também pode estar presente em todas as classes sociais e profissões.
“Pode ser qualquer pessoa. Mas sempre é bom observar comportamentos exagerados”, comentou a especialista. Para Lívia, os pais podem observar com mais atenção para posturas desproporcionais como excesso de carinhos para com a criança, excesso de presentes. ”O pedófilo gosta de agradar muito a criança e usa os brinquedos para tentar comprá-la emocionalmente”.
A pesquisa também traz uma preocupante característica: o abusador não costuma vitimizar as crianças pontualmente. Conforme o levantamento, 56,32% foram de abusos recorrentes em que o crime se repetiu por mais de três vezes. Outros 20,69% dos casos ocorreram entre duas e três vezes. E apenas 22,99% se limitaram a um episódio.
Em casa
Aproveitando os laços com a família, o criminoso costuma agir na própria residência dos pequenos. O estudo deixa esse padrão claro ao mostrar que 52,13% dos casos ocorreram na casa da criança. Enquanto que 28,72%, na propriedade do autor.
Leia mais na edição desta segunda (02) do Jornal de Brasília.