Francisco Dutra
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Quem mais morre e mata no trânsito do Distrito Federal é homem com idade entre 20 anos e 29 anos. Este é um dos alertas do recém publicado Boletim Anual de Acidentes de Trânsito com Vítima Fatal de 2011. Além do perfil da vítima e algoz da violência sobre rodas, o levantamento também mostrou que a guerra contra as mortes no trânsito do Distrito Federal acabou em um incômodo empate técnico no ano passado.
Segundo o diretor-geral do Departamento de Trânsito, José Alves Bezerra, existem dois caminhos que podem explicar a formação desse grupo de risco no trânsito. “Entre 20 e 29 anos, o jovem está na fase de afirmação. Não compreende que deve utilizar o veículo para o bem da humanidade. Falta maturidade e ele o usa como demonstração de poderio e autoafirmação”, disse. O segundo fator seria a combinação de trânsito com atos irregulares, como beber e falar ao celular.
Na análise do dia a dia, Bezerra também apontou que grande parte desses jovens é de Classe Média e teve acesso ao veículo como um presente da família. Carros e motos com motores potentes, cujas altas velocidades somadas a falta de maturidade, acentuam ainda mais as chances de morte ao volante. Diante deste cenário, muita gente questiona se o processo de formação dos novos condutores não deveria ser mais criterioso, indo das autoescolas até a avaliação do Detran.
No entanto, na visão de Bezerra, o problema não está na formação. O diretor frisou que todo o processo segue as normas do Código Nacional de Trânsito. Segundo ele, antes de o novo motorista colocar as mãos na carteira, deve passar pela avaliação de examinadores amplamente treinados. “Não acho que seja fácil tirar carteira. O que falta depois é que o motorista cumpra com aquilo que foi aprendido”, declarou.
Com 465 mortes no trânsito em 2011, média mensal de 33,8 mortes, é possível dizer que mais de uma pessoa morreu, por dia, no trânsito do Distrito Federal. Uma média de perda que, infelizmente, é muito parecida com a de 2010. Segundo o boletim, o número de acidentes teve uma tímida redução de 3% em relação a 2010, apenas 13 casos a menos. Por outro lado, o número de mortes aumentou ligeiramente, partindo de 461 para 465, em uma evolução de 0,9%.
desigual
Diante dos números, o professor especialista em trânsito da Universidade de Brasília (UnB), Paulo Cesar Marques, comentou que é importante considerar que eles são bem menores do que o índice de aumento da frota, que teve 84.721 novas unidades entre 2010 e 2011 e alcançou o ponto de 1.317.721 veículos, o que equivale a um salto de 6,9%. Ou seja, mesmo com o aumento claro do número de veículos, a quantidade de mortes e acidentes se manteve praticamente nos mesmos níveis de 2010.
“Os números não são ruins, mas não podemos nos acomodar”, afirmou Marques. De fato o índice de mortes para cada dez mil veículos recuou. Em 2009 e 2010, ele era de 3,7. Já em 2011 o índice caiu para 3,5. Uma taxa ainda distante da ideal – que é de 3,0 – sugerida pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Para fugir de um novo empate em 2012, Marques considera que os órgãos públicos responsáveis, em especial o Detran, devem apostar na fiscalização e no controle da velocidade das vias. Para os motoristas, o especialista aconselha: “Devemos respeitar os limites. Também é preciso mais respeito à sinalização. E as pessoas devem usar e abusar das setas”, comentou.
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