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Brasília

Levantamento aponta que uma criança é vítima de abuso por dia no DF

Arquivo Geral

18/06/2012 7h10

 

Carlos Carone

carone@jornaldebrasilia.com.br

 

Silencioso, o abuso sexual infantil é difícil de ser materializado criminalmente e choca pela inocência das vítimas, que muitas vezes nem sequer sabem que estão sendo violentadas. No Distrito Federal, em média, pelo menos uma criança foi abusada a cada dia deste ano, entre 1º de janeiro e 31 de maio. As meninas são as preferidas dos pedófilos. Ao todo, 183 delas foram atacadas, enquanto 31 meninos tornaram-se alvo dos criminosos. Os dados são da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), que mapeou as cidades onde mais ocorrem os casos de abusos sexuais.

 

Somente nos primeiros cinco meses deste ano, 27 homens foram presos por violência sexual praticada contra crianças ou adolescentes. E nas próximas semanas o número de presos deve aumentar. Existem pedidos de prisão engatilhados para serem cumpridos pela delegacia. “Desde que assumimos a delegacia demos um caráter mais operacional ao trabalho e isso resultou nessas prisões”, afirmou a delegada-chefe Valéria Martirena.

 

Apenas neste ano, cerca de 200 novos inquéritos foram abertos para investigar a ação de pedófilos. Somando todos os procedimentos em tramitação, o número sobe para 600. Os suspeitos investigados, atualmente, são de diferentes classes sociais e podem ser abusadores em série. “Não vamos revelar detalhes, mas se levarmos em conta o número de vítimas que alguns desses suspeitos fez a quantidade de crianças abusadas no DF seria bem maior”, explicou a delegada.

 

Trabalho intensificado

Para confirmar a escalada de casos de abuso sexual infantil no DF, enquanto nos primeiros quatro meses do ano passado apenas um homem havia sido preso pelo crime, no mesmo período deste ano 20 pessoas já haviam sido presas. Mesmo com a intensificação do trabalho policial, a maior ferramenta de investigação continua sendo a denúncia feita por familiares. Boa parte dos inquéritos instaurados no decorrer deste ano tiveram início a partir de denúncias. “Para se ter uma ideia, apenas cerca de 30% de cada abuso sexual que ocorre nos lares é denunciado. O restante fica escondido dentro de casa”, ressaltou a delegada.

 

 

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