Carlos Carone e
Luís Augusto Gomes
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Oponto alto da audiência de instrução dos acusados do triplo homicídio da 113 Sul foi quando Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio dos Villela, apontado como um dos autores do crime, afirmou que confessou os assassinatos após ter sido torturado por policiais na 8ª Delegacia de Polícia (SIA). Ele disse ainda que as agressões se repetiram na Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida). Ele negou participação e garantiu que não foi contratado por Adriana Villela, filha do casal morto, para cometer o crime.
Além de Adriana e Leonardo, também são réus no processo o sobrinho dele, Paulo Cardoso Santana, e um cúmplice, Francisco Mairlon Barros Aguiar. O julgamento, que começou às 9h, ainda estava, por volta das 23h30, no terceiro depoimento. Ao todo, cinco pessoas seriam ouvidas, quatro delas são réus no caso da morte do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, José Guilherme Villela, de sua mulher Maria Carvalho Villela e da empregada da família, Francisca da Silva, ocorrido em 28 de agosto de 2009.
Durante seu depoimento, que começou por volta das 19h, Leonardo lembrou as supostas torturas e contou que disse os nomes dos supostos cúmplices aleatoriamente. Ele disse que precisava apontar alguém como mandante e, por isso, citou o nome de Adriana Villela. Para justificar a compra de um comércio em Montalvânia (MG), ele disse que, após trabalhar durante 14 anos como porteiro do prédio onde os Villela moraram, fez um acordo com o contratante e recebeu cerca de R$ 35 mil. Com esse dinheiro, teria montado uma lanchonete de onde tirava o sustento da família.
O réu disse ainda que, no momento em que foi preso, não sabia o que estava ocorrendo. Só quando chegou à delegacia, começou a entender a situação. “Eles só falavam que o crime estava esclarecido e citavam apenas ‘o crime’. Só soube de tudo quando cheguei na delegacia. Até meus vizinhos acharam que eu estava sendo sequestrado”, disse, durante o depoimento.
O promotor de acusação, Maurício Miranda, inquiriu Leonardo e considerou que o depoimento do réu foi muito contraditório em vários pontos.
Já o advogado de defesa, Antônio Carlos de Almeida Castro, questionou Leonardo sobre os detalhes que ele já tinha dito em relação à cena do crime, quando confessou a autoria do triplo homicídio. Leonardo teria contado o que estava dentro de armários do apartamento das vítimas e relatado detalhes sobre o momento do crime. Nesse momento, o réu pensou bem e afirmou que não se lembrava de ter feito tais afirmações.
Diálogo
Após Leonardo ser pressionado pelo promotor e pela defesa de Adriana, a defensora pública pediu ao juiz um tempo para conversar a sós com o réu. Eles deixaram a sala do júri e, por alguns minutos. No retorno ao banco dos réus, Leonardo afirmou que daquele momento em diante não responderia sobre questões que não se lembrava ou que não sabia. A partir daí, passou a responder apenas com “não” aos várias questionamentos.
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