A organização Repórteres sem Fronteiras (RSF) divulgou hoje um relatório à imprensa afirmando que os Jogos Olímpicos de Pequim foram “desastrosos” para os direitos humanos.
No documento, a RSF denuncia o “cinismo” das autoridades chinesas e a “incapacidade” do Comitê Olímpico Internacional (COI) para fazer respeitar a “dignidade humana”.
A organização, que defende a liberdade de imprensa, constatou agressões a pelo menos 22 jornalistas estrangeiros durante a competição, que termina no próximo domingo.
Além disso, o balanço aponta que 50 militantes a favor dos direitos humanos foram colocados em regime de prisão domiciliar durante os Jogos; que 15 cidadãos chineses foram detidos por terem solicitado o direito a se manifestar; e que 47 militantes pró-tibetanos foram interrogados e expulsos do país.
Diretamente da capital chinesa, a RSF pediu hoje a libertação dos jornalistas americanos Brian Conley e Jeff Rae, detidos na última terça com quatro ativistas pró-Tibete e condenados a dez dias de “confinamento administrativo”.
“Infelizmente, tínhamos razão”, comentou hoje o secretário-geral da RSF, Robert Menard, em entrevista coletiva, afirmando que as autoridades chinesas não cumpriram os compromissos assumidos há sete anos.
Em 2001, o secretário-geral da candidatura chinesa, Wang Wei, prometeu “liberdade total para a imprensa” durante os Jogos. Porém, segundo a organização, isto não aconteceu por conta dos atos violentos e obstruções à liberdade ocorridos.
A RSF também lembrou as dificuldades de acesso ao Tibete ou para entrevistar familiares de dissidentes chineses.
Menard apontou que a campanha de mobilização contra a censura nos Jogos de Pequim não deu resultado, já que poucos presos políticos foram libertados – por outro lado, houve um aumento nas detenções.
O secretário-geral da RSF criticou ainda o belga Jacques Rogge, presidente do COI, por não ter respeitado a Carta Olímpica, que faz referência expressa ao respeito à dignidade humana. Como protesto, ele pediu um boicote a uma eventual reeleição no próximo pleito à presidência do organismo, em 2009.
O dirigente pediu que o respeito aos direitos humanos esteja no mesmo patamar que critérios como segurança, infra-estrutura e meio ambiente na hora de escolher as cidades-sede.