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Brasília

Jogo compulsivo acaba com familías do DF

Arquivo Geral

08/04/2012 7h08

Vinícius Borba
vinicius.borba@jornaldebrasilia.com.br

 

Famílias desfeitas, dívidas e perda de bens são algumas das consequências do jogo compulsivo. Mesmo proibido, o mercado é vasto, alimentado por homens e mulheres viciados em caça-níqueis, bingos e cartas. São pessoas que não medem esforços para satisfazer o vício e, se não  podem fazê-lo abertamente, não relutam em buscar esquemas ilegais, como o mantido por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que está preso.

 

Especialistas apontam a importância de tratamento e políticas públicas para divulgar  o problema e tratar os pacientes, apesar da inexistência de programas dessa natureza no DF. Enquanto são poucas as iniciativas de combate ao problema, pessoas, das mais pobres às mais ricas, continuam caindo nas malhas da jogatina, sob o risco até mesmo de suicídio.

 

 Num esforço diário para ficar longe do vício, Rafael (nome fictício), 43 anos, segue a vida que conseguiu reerguer a muito custo depois de perder todos os bens e a família. Tudo foi trocado por bingos, que frequentava de forma compulsiva.

 

Aos 32 anos de idade, empresário trabalhando em micronegócio familiar, com algum dinheiro acumulado,  ele conheceu uma empresa multinacional com a qual começou a multiplicar os próprios ganhos. “Eu ganhava de R$ 15 mil a 20 mil por mês em pouco mais de dois anos de trabalho. Foi quando comecei, só por prazer, a jogar nos bingos de Brasília”, afirmou. Durante pelo menos três anos, segundo ele, sua capacidade intelectual e a estabilidade financeira o ajudaram a ganhar mais do que a perder.

 

Num  segundo momento, com a denúncia envolvendo esquemas de propinas que envolviam partidos políticos e a criação da CPI dos Bingos, em 2007 foi publicada Medida Provisória que proibiu os bingos no Brasil. Quando não encontrou mais jogos em Brasília, Rafael passou a viajar para São Paulo. “Depois, quando acabou o bingo também em SP, fui até para a Espanha para apostar mais. Num ano joguei pelo menos R$ 100 mil pelo ralo. De lá, tive de pedir para parentes fazerem empréstimo aqui para pagar minha passagem de volta”, disse.

 

Mas não foi só o dinheiro que acabou. “Um dia, minha mulher me fez a pergunta fatal: ‘Você quer ficar comigo ou com o jogo?’ Abracei meu bingo e ela se foi”, relatou Rafael. Depois de estar praticamente quebrado e ver amigos derrotados pelo vício, ele decidiu parar. “Não tem esse que só consegue ganhar. Cheguei a passar três dias dentro de um bingo, só perdendo. Ganhava um ‘tiquim’. Sabemos que você vai perder”, afirmou.

 

Leia mais na edição deste domingo (8) do Jornal de Brasília. 

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