O assalto durante a madrugada de segunda-feira na Catedral Metropolitana de Brasília colocou em xeque a segurança da igreja e dos demais monumentos da capital. Antes do furto de cinco cálices utilizados nas celebrações e cerca de 100 camisetas que seriam vendidas na festa de Corpus Christi, amanhã – que culminou em prejuízo aproximado de R$ 8 mil – um dos principais pontos turísticos projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, o templo católico não contava com câmeras de segurança e vigilantes.
Um dia depois do roubo, o pároco da Catedral, padre George, contratou uma empresa de segurança por R$ 6 mil mensais. Além disso, há um projeto de instalação de câmeras no interior e arredores do templo.
Situação diferente de quatro outros edifícios símbolos de Brasília. É o caso da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, Memorial JK, Museu da República e Memorial dos Povos Indígenas. Em todos eles há, pelo menos, mais de uma câmera no interior, o que não ocorre na Catedral.
Na tarde de ontem, o Jornal de Brasília percorreu os quatro pontos e constatou vigilância em todos.
Vulnerável
Um dos vigários da Igrejinha, frei Cláudio Fumegalli, aponta que as três câmeras instaladas no lugar não garantem segurança. “Como a igrejinha é patrimônio público, a comunidade não pode fazer algo sem autorização do Iphan.”
Para ele, mesmo com as câmeras, a Igrejinha se torna vulnerável a invasões ou vandalismo. “Apesar de a sacristia ser mais reservada, no período noturno o templo católico fica sem vigilantes”, argumenta.
Memorial JK está seguro
No Memorial JK, o esquema de segurança é reforçado com câmeras desde a parte externa do monumento. E há sistema de alarme ao redor do vidro onde fica, na área externa, o último veículo particular do então presidente Juscelino Kubitschek. No interior do Memorial, seguranças, sistema de rádio, circuito interno de vídeo e câmeras garantem o cuidado das instalações.
O colaborador jurídico do Memorial JK, Roberto Ventura, explica que a presidente do monumento e neta de JK, Anna Christina Kubitschek, determinou no início de 2011, um plano de segurança. “A intenção é que o plano seja ampliado em 2013 para atender um contingente maior de visitantes e turistas”, diz.
Museu da República
Já o Museu Nacional Honestino Guimarães (Museu da República) tem 16 câmeras internas e outras para a entrada. Tudo para preservar obras valiosas, como as pinturas de Di Cavalcanti, Djanira e Portinari. E 40 homens fazem a segurança do lugar. O diretor administrativo do museu, João Bastos, diz que a vigilância aumenta quando há alguém suspeito: “Os vigilantes observam e passam a informação adiante”.
O mesmo ocorre no Memorial dos Povos Indígenas, onde há seis vigilantes para proteger as peças do patrimônio cultural indígena referentes aos anos de 1948 a 1989.
PONTO DE VISTA
O delegado-chefe da 5ª DP (Centro de Brasília) que investiga o furto na Catedral, Marco Antônio de Almeida, explica que as diligências não avançaram, uma vez que a Biblioteca Nacional, monumento próximo à igreja, não tem sistema de filmagem. Segundo ele, policiais foram ao Museu Nacional Honestino Guimarães tentar obter imagens das câmeras, mas elas ficam voltadas para o acesso ao local e não flagram a Catedral. “Não encontramos ninguém, mas trabalhamos em cima de um suspeito apontado pelo pároco da Catedral. Ele chega ao local por volta das 18h e o padre disse ter visto essa pessoa antes do crime”, fala.