Da Redação
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A equipe do Jornal de Brasília percorreu o trajeto que teria sido feito por quatro policiais que eram lotados no 20º Batalhão da Polícia Militar (Paranoá), com os três jovens presos no cubículo de uma viatura da corporação, provavelmente algemados. O percurso é de 70 quilômetros, sendo que 25 deles é de estrada de terra, do Paranoá ao Rio Jardim, na DF-100, onde os corpos das vítimas presas foram supostamente mortas pelos militares.
A investigação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (PMDFT) e da Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida) da Polícia Civil apontam que, no dia 13 de janeiro de 2006, os corpos dos jovens, entre eles um de 14 anos, foram encontrados no rio de correnteza forte, que tem cerca de quatro metros de largura e entre dois e quatros metros de profundidade, debaixo de uma ponte.
No local, em uma das pilastras de sustentação da ponte há uma frase sórdida, escrita em carvão, que chama a atenção: ”Sargento, vocês eram meu pesadelo”. Curiosamente, foi nesse cenário de difícil acesso que um policial militar da mesma unidade do suspeitos de envolvimentos nas mortes, encontrou os corpos.
O policial tinha ido pescar com a família no Rio Jardim. Desceu o penhasco e, ao entrar na água turva, pisou em algo parecido com um pé humano. Levou um susto e chegou a gritar, chamando a atenção dos parentes. Saiu da água, telefonou para a corporação e para o Corpo de Bombeiros, que retiraram dois corpos. O terceiro estava em cima da viga, de barriga para cima e braços abertos, como que crucificado, segundo mostram as fotografias tiradas por peritos do Instituto de Criminalística.
Crime grave
As imagens fazem parte do processo que está no Tribunal do Júri do Paranoá. A investigação apurou que as vítimas foram torturadas, em seguida, obrigadas a tirar as camisas e amarrarem no rosto, sendo executadas com tiros na cabeça. A perícia comprova que uma das vítimas apanhou muito nas mãos, com uma barra de ferro. Ela era suspeita de ter furtado a casa de um dos envolvidos na chacina e levado uma arma.
Um agricultor da região confirma que o local é usado como desova. Morador há mais de 25 anos, no Buriti Vermelho, distrito do Paranoá, ele diz que lembra quando os corpos foram encontrados.
O crime é considerado tão grave que a Procuradora Geral de Justiça em exercício, Zenaide Souto Martins, baixou portaria designando cinco promotores para acompanhar o caso. Os quatro policiais suspeitos foram citados na terça-feira da semana passada. O Ministério Público pediu a prisão dos suspeitos e o juiz Renato Martins Teixeira Martins decidirá se determina ou não se serão presos.
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