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Imunizados com a vacina contra HPV está abaixo da meta no DF

Mesmo ofertada de forma gratuita na rede pública, grande parte dos jovens brasilienses não estão vacinados contra o vírus

Por Mayra Dias 15/09/2021 5h42
Foto: Agência Brasil

“A vacina confere uma imunidade tanto no aparecimento de lesões, as verrugas, quanto com relação às lesões precursoras de câncer de colo uterino, de reto e de regiões de orofaringe”, esclarece Renata Gobato, médica ginecologista do Hospital Anchieta de Brasília quanto a importância da vacina contra o HPV. No entanto, mesmo com tal importância, os indicadores de imunização da Secretaria de Saúde do DF indicam que o número de jovens vacinados na capital está bem abaixo da meta.

Sigla em inglês para papilomavírus humano, o HPV é agente infeccioso com mais de 100 subtipos, sendo que, aproximadamente, 60 deles acometem com mais frequência a região da pele, causando verrugas. “São os subtipos mais comuns. Os outros 40 acometem mucosas, como a boca e região genital. Esses são os que a gente mais se preocupa com relação a doenças”, esclarece Renata. Sua contração, como salienta a médica, acontece com o contato pele a pele e não há, como garante a especialista, estudos científicos que comprovem a infecção por meio de superfícies ou compartilhamento de materiais. “O vírus, dessa forma, é contraído através de contato físico, como relações sexuais”, completa.

De modo a proteger a população das enfermidades trazidas pelo patógeno, existe no Distrito Federal, desde 2013 (para as meninas) e desde 2017 (para os meninos, a campanha de vacinação contra o HPV. O imunizante, que é aplicado em duas doses por recomendação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), deve ser tomado por todas as meninas de 9 a 14 anos, e meninos com idade entre 11 e 14. “Essa idade é recomendada pois o mais indicado é que essa imunização seja feita antes que haja algum contato com o vírus”, desenvolve Renata. Além disso, a imunização nesta idade, protege contra uma série de doenças sexualmente transmissíveis, quando iniciada a vida sexual.

No entanto, os dados da Secretaria de Saúde quanto ao número de jovens vacinados não são satisfatórios. De 2013 a junho de 2021, apenas 41,2% das meninas receberam as duas doses da vacina, e entre os meninos, de 2017 até junho de 2021, somente 24,3% foram imunizados. Segundo a ginecologista, tem-se hoje, no Ministério da Saúde, a vacina quadrivalente, a bivalente e a nanovalente. “A primeira previne contra os 4 principais subtipos, que são os que mais dão verrugas genitais, e também os de alto risco, que causam câncer. A bivalente protege contra as duas mais graves e a nonovalente age contra 9 subtipos”, explica.

Na rede pública de saúde, meninas e meninos dentro da faixa etária recomendada podem receber as duas doses, com intervalo de seis meses, de forma gratuita. Conforme garante a secretaria, a vacina contra o HPV está disponível em todas as unidades básicas de saúde (UBSs) do DF. “Mas no serviço privado, como já existem estudos comprovando benefícios mesmo em pacientes que já tiveram HPV, é possível encontrar vacinas disponíveis para mulheres até 45 anos e para homens de até 26”, pontua a especialista.

Desinformação explica os números

Na avaliação da médica, a baixa procura tem relação com a pouca informação ofertada acerca da importância da vacina, além da própria falta de conhecimento sobre o próprio vírus. “As pessoas, muitas vezes, não sabem a importância e não sabem do risco. Cerca de 80% das pessoas com vida sexual ativa têm contato com o HPV”, expõe. Ela ainda ressalta que, devido ao fato de, muitas vezes, os pacientes serem assintomáticos, a grande maioria acredita que o vírus não é tão prevalente. “É importante reforçar essa informação. Mostrar que a grande maioria de nós terá contato com o vírus e que é que a vacinação é importante para evitar as lesões”, acrescenta Renata Gobato.
A ginecologista aponta também que muitas pessoas não procuram os serviços de saúde devido a existência de alguns preconceitos que ainda envolvem a campanha. “Já ouvi relatos de familiares que tem medo de fornecer essa vacina ao adolescente, e isso ser interpretado como um ‘estímulo’ para o início da prática sexual”, revela.

Sintomas e tratamento

Por se tratar de uma enfermidade onde a grande maioria dos acometidos não apresentam sintomas, Renata diz ser importante estar atento. “A paciente inicia a vida sexual e, geralmente, nos três primeiros anos, tanto o homem quanto a mulher tem o primeiro contato com o HPV e nem ficam sabendo. Quando há sintomas, por sua vez, os mais comuns são as verrugas genitais e também na região de orofaringe”, aclara. Todavia, em casos de persistência do vírus, podem se iniciar as lesões precursoras de câncer como o de colo uterino. “Nessas situações, o maior sintoma é o sangramento na relação sexual ou no intervalo entre as menstruações”, salienta.

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O tratamento, desta forma, irá depender dos sinais que o indivíduo apresenta. No caso das verrugas, na maioria das vezes, é feita a cauterização. “Quando a paciente apresenta lesões precursoras de câncer, ela é encaminhada para uma colposcopia, e lá é feita a identificação do grau da lesão. Cada uma terá um processo específico que pode variar de um acompanhamento até cirurgias”, finaliza.






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