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Brasília

Homenagem a servidor morto em assalto vira ato contra a impunidade

Arquivo Geral

12/04/2012 0h04

 

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

 

Choro doído, sofrido, de uma saudade vinda do fundo do coração. A produtora cultural Roberta Jansen não conteve a emoção ao chegar  à 413 Norte e se aproximar da  mesa da casa de sucos onde o irmão, Saulo Batista Jansen, foi baleado em um assalto na última sexta-feira. As lágrimas de Roberta correram com a mesma intensidade daquelas derramadas por outras famílias destruídas pela onda de violência no Distrito Federal.

Roberta participou de um ato com  cerca de 300 pessoas em memória e  homenagem ao irmão. O grupo fez um movimento de protesto e indignação contra a insegurança. Saulo, pernambucano, servidor do Banco Central, foi ferido diante da esposa, da filha, um bebê de cinco meses, e amigos.


Na sexta-feira passada, um assaltante havia roubado uma mulher na mesma casa de sucos em uma mesa distante de onde estava Saulo. Outros clientes tentaram deter o criminoso. Em resposta, ele atirou a esmo, sem mirar. A bala acertou Saulo no coração. Ele morreu pouco tempo  depois, no Hospital de Base.       

 
A manifestação popular teve quatro atos. O primeiro foi a abertura de um abaixo-assinado, pedindo um basta à violência. O segundo,  foi a leitura de texto produzido pelo pai do servidor. Em seguida, ciclistas apresentaram uma nota de repúdio à violência. Apaixonado pelo ciclismo, Saulo pedalava constantemente pelas vias do DF. Por isso, a última homenagem foi um  passeio ciclístico com mais de 140 pessoas pela L2 Norte.

   “A gente (a família) está muito comovido com o povo de Brasília, que está prestando esta homenagem. A violência no Brasil  tem que acabar. O Brasil já é a sexta economia, mas a gente tem que ver isso nas ruas. A gente tem que sentir isso na nossa sociedade”, declarou Roberta. Ela considera que é hora de os governantes tomarem as medidas certas para conter a violência.
Time do coração

 

Para a produtora cultural, o desejo da família em Pernambuco é de que o episódio não passe em “branco”. A esposa e filha de Jansen estão em Pernambuco. “O enterro (no último domingo de Páscoa) foi uma comoção. Colocaram os sapatinhos da filha com o símbolo do Náutico  no caixão. As pessoas cantaram parabéns, porque era para ser aniversário dele”, contou o tio do servidor, Wellington Jansen, que leu com voz embargada o texto escrito pelo pai do sobrinho.

 

Na nota de repúdio, ciclistas do grupo Pedal Noturno cobraram que políticas de segurança pública e sociais sejam colocadas em prática. Na lista de ações propostas estão: a volta da dupla de PMs Cosme e Damião, o fim dos “saidões” e tolerância zero. “Acreditamos que a insegurança não está relacionada unicamente ao trabalho da polícia, mas às brechas das leis e à impunidade”, disse o texto.

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