Kelly Ikuma
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A greve dos vigilantes do Distrito Federal, deflagrada ontem, causou um verdadeiro caos na capital nesta sexta-feira (27). Bancos não abriram suas portas, hospitais funcionaram de maneira precária, serviços em órgãos federais tiveram que se adaptar ao imprevisto e, locais de diversão, como o Zoológico, permaneceram fechados. O Sindicato das Empresas de Segurança Privada, Sistemas de Segurança Eletrônica, Cursos de Formação e Transporte de Valores (Sindesp-DF), afirmou em coletiva, realizada nesta manhã, que está tão surpreso com a paralisação como a população em geral. Até o momento, nenhuma assembleia foi marcada para definir se os transtornos continuam no final de semana ou não.
Em ronda pela cidade, a reportagem do Clicabrasília presenciou de perto a falta que os serviços dos vigilantes fazem. Todas as agências bancárias estavam fechadas, apenas os caixas eletrônicos funcionaram. Isso porque de acordo com a Lei Federal nº 7.072, portaria 386, os bancos não podem abrir suas portas com menos de dois vigilantes. O Banco de Brasília divulgou em nota que 70% das agências fecharam e 100% das atividades daCaixa Econômica Federal confirmou ficaram paralisadas. A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) divulgou em nota que vai entrar em contato com o Sindicato dos Vigilantes do Distrito Federal (Sindesv-DF) para exigir o número mínimo de trabalhadores para que as agências possam funcionar e a população não seja prejudicada.
Os hospitais se viraram da maneira que puderam. Funcionários da área administrativa tiveram que deixar os seus postos e assumir a função dos vigilantes. No Hospital de Base, por exemplo, uma acessorista de elevador estava fiscalizando a entrada da emergência e outros funcionários tomaram conta de setores como o de marcação de consultas. Nessa última, houve uma polêmica no começo da manhã, pois um dos vigias teria levado a chave do setor para casa e não retornado, fato que causou uma pequena manifestação entre os pacientes. No Hospital Regional da Asa Norte (Hran), a pediatria funcionou de portas fechadas. Para suprir a segurança nas unidades, a Secretaria de Saúde do DF solicitou o apoio da Casa Militar e da Secretaria de Segurança Pública e autorizou os centros de Saúde a fecharem durante o horário de almoço.
A Receita Federal suspendeu os serviços até às 11h da manhã, horário em que começou a atender apenas cinco pessoas por vez. O lazer também foi prejudicado. O Zoológico de Brasília decidiu não abrir suas portas, já o Parque Nacional de Brasília, mais conhecido como Água Mineral, arriscou funcionar mesmo sem vigilância. A decisão foi tomada depois que o público começou a se acumular na entrada do local e, para não prejudicar a diversão de todos, a administração assumiu os riscos.
Um pequeno protesto foi realizado durante a inauguração da Farmácia Especializada da Ceilândia. Vigilantes se reuniram de forma pacífica na Praça do Cidadão, onde o governador Agnelo Queiroz presidia o evento, para pedir que o governo interceda por eles na negociação com as empresas.
Sem acordo entre os sindicatos
De acordo com o presidente do Sindesp-DF, Irenaldo Pereira Lima, as empresas levaram um susto quando souberam da decisão dos vigilantes, pois eles teriam se reunido na quinta-feira (26) e apresentado propostas que, segundo ele, foram aceitas pela categoria. “Fiquei sabendo da greve pela imprensa. Eles poderiam ter conversado conosco no momento da reunião”, afirma. Irenaldo chegou até a levantar a hipótese de que houve falha na comunicação entre o sindicato dos vigilantes e categoria. “Oferecemos uma proposta generosa para evitarmos a greve e estamos desconfiando que não foi repassada da forma correta para eles”.
O sindicato patronal ofereceu um pacote de reajustes e aumentos de 16,69%, que incluiria 9,94% de inflação acumulada pelos 16 meses sem reajustes salariais e 7% em gratificações por risco de vida, além de aumento no ticket de alimentação de R$ 13,5 para R$ 17. “Tenho certeza que nossa proposta atende os anseios da categoria, que segundo Irenaldo, possui a maior remuneração nacional. “Com a deflagração da greve, decidimos hoje pela manhã suspender a proposta oferecida e vamos tomar as medidas jurídicas cabíveis”, afirmou o assessor jurídico do sindicato, Marcelo Bessa.
O Sindicato dos Vigilantes do DF (Sindesv-DF) reivindicam ticket de alimentação de R$ 25 por dia, 15% de reajuste salarial, e os 25% que estão faltando em gratificações por risco de vida. De acordo com o vice-presidente do sindicato, Paulo Quadros, esse último ponto é o que está gerando mais polêmica entre a categoria. De acordo com ele, foi decidido na última convenção coletiva, ocorrida em 2010, que seriam pagos 30% em gratificações por risco de vida até o ano de 2014. As empresas teriam pagado apenas 5% e dividiriam o restante em três vezes de 8,33%, fato que não teria sido cumprido. Paulo Quadros afirma ainda que há 16 meses a categoria não recebe qualquer tipo de adequação nos benefícios estabelecidos entre empresas e funcionários. O assessor jurídico do Sindesp-DF se defendeu dizendo que não foi estabelecido nenhum percentual e que eles podem pagar esses 25% em uma vez só em 2014 se acharem conveniente.