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Brasília

Greve dos professores já causa prejuízos para estudantes do DF

Arquivo Geral

17/03/2012 7h11

Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

 

 

Ruas cheias de crianças e salas de aula vazias. A greve dos professores da rede pública do Distrito Federal segue para quinto dia, sem previsão de acordo entre a categoria e o Governo do Distrito Federal. Especialistas alertam que cada dia longe da escola custa caro para o aprendizado dos alunos. “Considerando a Educação Pública de má qualidade, tirar ou interromper o processo de aprendizagem prejudica ainda mais o desenvolvimento da motivação desses alunos para os estudos”, diz Afonso Galvão, diretor do programa de mestrado e doutorado em Educação da Universidade Católica de Brasília (UCB).

 

Para Galvão, uma aula ruim ou um sistema educacional ruim é mais desejável do que aula nenhuma pois, quanto mais dias os estudantes ficam sem aula, mais eles perdem o ritmo da aprendizagem. Ele explica que esse ritmo é dado só pela sala de aula, mas também pela rotina de estudos fora, como os deveres de casa.

 

“Educação é um processo que tem a aula como núcleo, mas passa também pela casa, o convívio com os colegas e a conversa sobre elas com os pais e responsáveis”, explica. A perda da motivação pelos estudos causa graves danos para o desenvolvimento emocional, cognitivo, afetivo e psicosocial de crianças e pré-adolescentes.

 

Galvão diz que a reposição após a paralisação dificilmente oferecerá a mesma qualidade educacional das aulas normais, pois são feitas em curtos espaços de tempo, muitas vezes, em finais de semana, chegando mesmo ao período de férias.

 

O especialista lembra que, muitas vezes, as reposições podem levar ao desencontro das férias de pais e filhos. “É um baque para eles. A organização familiar sempre busca que as férias sejam juntas. Mas, com as reposições nas férias, as famílias podem perder as viagens”, detalha.

 

Para Galvão, a greve é um sinal preocupante de que o sistema educacional é feito para não funcionar e reproduzir as desigualdades sociais. Ao passo que em outros países o sistema educacional forma adolescentes de 17 anos prontos para se defender e buscar seus sonhos, Galvão alerta que no DF e no Brasil o sistema educacional afasta as novas gerações dos estudos, deixando-as mais próximas do crime.

 

“Elas já sofrem a violência de viver em famílias desestruturadas e  sofrem mais violência em escolas que não promovem o desenvolvimento. Aí surge o adolescente de 16 anos homicida e o que a classe média quer fazer com ele? Quer matá-lo, mudar o Estatuto da Criança e do Adolescente”, pontua.

 

Leia mais na edição impressa deste  sábado(17) do Jornal de Brasília.

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