Da Redação
redacao@jornaldebrasilia.com.br

O GDF cansou de esperar por uma solução dialogada e decidiu suspender o pagamento dos policiais civis em greve há 36 dias. Irritado com o movimento grevista, o governador Agnelo Queiroz foi categórico: “Não posso admitir que uma categoria que tem um salário inicial de R$ 7 mil – a maioria ganha R$ 15 e R$ 20 mil – possa ter uma intransigência brutal dessa.”
A categoria decidiu manter a greve iniciada no dia 27 de outubro, mesmo depois de o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cesar Peluzo, ter considerado a paralisação ilegal, na última segunda-feira. Entre as reivindicações da categoria estão o aumento do quadro de servidores e reposição salarial de 13%. A categoria também pede reestruturação do plano de carreira e o pagamento de dívidas trabalhistas.
Ontem, o secretário de Administração, Wilmar Lacerda, fez contato, por telefone, com o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, e o diretor da Polícia Civil, Onofre Moraes, pedindo que os grevistas tivessem o ponto cortado.
Também ontem, a juíza da 8ª Vara Cível de Brasília manteve a determinação para que a Polícia Civil encerre a greve sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A princípio a penalidade havia sido estipulada em R$ 100 mil. A juíza intimou o Sindicato dos Policiais Civis do DF para comprovar o cumprimento da decisão imediatamente.
Desde o início da greve, o brasiliense enfrenta problemas para registrar ocorrências mais simples, como roubos e furtos. Além disso, a emissão de documentos com a Carteira de Identidade está suspensa. “Minha filha precisa do documento para tirar o passaporte e não consegue. É uma vergonha”, destaca a advogada Carla Amarante.
Quem também está indignado com a paralisação dos policiais é o comerciante André Alves. Ele precisa registrar uma ocorrência de cheque clonado e não consegue. “Sem o Boletim de Ocorrência o banco não aceita devolver o dinheiro que foi sacado indevidamente da minha conta. E agora?”, esbravejava na porta da delegacia.
Verba federal
Como os policiais civis são pagos com recursos do Fundo Constitucional do DF, dinheiro que vem dos cofres da União, apenas o Governo Federal, após aprovação no Congresso Nacional, pode reajustar os salários da categoria. Desde o início do ano o GDF encaminhou para o Palácio do Planalto proposta para a concessão do reajuste, mas a presidente Dilma Rousseff não deu prosseguimento ao projeto.
Leia mais na edição impressa desta sexta-feira (25) do Jornal de Brasília.