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GDF, Senado e Ministério da Educação debatem a prevenção da violência nas escolas

Em um evento interativo do Senado, a Secretaria de Educação foi convidada para dialogar sobre o combate à violência nas escolas do país

Foto: Agência Brasil

Gabriel de Sousa
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Desde o retorno dos alunos para as salas de aula, a violência nas escolas é um tema que vigora em debates em todo o país, que passou a abrir diálogos sobre o aprimoramento do cuidado com a educação e o fortalecimento da segurança pública. Tendo em vista a importância do assunto, a Comissão de Educação do Senado Federal realizou, nesta quarta-feira (8), um evento interativo que buscou debater a importância de novas políticas públicas para otimizar a proteção dos frequentadores das instituições de ensino.

A reunião contou com a participação especial do coordenador pelo membro da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF), Tony Marcelo, que é presidente da Comissão do Plano de Urgência para Paz nas Escolas Públicas do DF, que desde março deste ano, discute, propõe e cria ações para a promoção da paz nas escolas da capital federal.

Durante a sua fala, Marcelo comentou sobre a criação do Plano de Urgência no DF, que surgiu durante o crescimento de casos de violências dentro das escolas após o retorno das aulas presenciais nas instituições públicas de ensino. “Logo quando surgiu o problema da violência nas escolas do Distrito Federal, a Secretaria de Educação, de pronto, partiu para a convocação do Governo do Distrito Federal, no qual foi criado um comitê intersetorial, e convocando todas as secretarias”, disse o coordenador.

O membro da SEEDF comentou também que, com a pandemia, o psicológico dos estudantes foi afetado, fazendo com que fosse necessário a atuação do governo distrital para intervir com práticas pedagógicas, buscando trazer um maior conforto para os jovens. “A questão da violência abrange uma análise sobre um todo. E a fragilidade no campo emocional dos alunos, principalmente, passou a ser o foco de observação maior. A violência escolar precisa ser escutada, principalmente, pelo que nosso aluno tem a dizer”, afirmou.

Tony destacou também a intersetorialidade do plano distrital, que além da Educação, também conta com a participação das secretarias da Casa Civil e da Segurança Pública. Segundo o coordenador, a união das pastas é necessária para a solução da problemática nas escolas, visto que os atos violentos não dizem apenas sobre as necessidades de novas ações no campo pedagógico do DF: “A violência não é um problema só da educação, a violência é um problema estrutural. A escola nada mais é que um reflexo de uma sociedade no qual apresenta problemas sociais agudos”.

Especialista destaca que solução é infraestrutura e acolhimento

Outro convidado do evento interativo do Senado Federal foi o especialista em segurança pública nas escolas, Igor Pipolo, que destacou que a solução do crescimento dos casos de violências nas escolas não é a presença de contingentes policiais, e sim a melhoria dos espaços pedagógicos e também da melhoria do contato com os estudantes.

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“Existem outros fatores que podem estar relacionados com este momento que estamos vivendo. Por isso, é necessário que as escolas contem com um suporte de infraestrutura, para que estejam acolhidas e amparadas. Desta forma, acreditamos que violência seja minimizada”, explicou Pipolo.

Já a coordenadora-geral de Ensino Fundamental do Ministério da Educação, Denise Regina, explicou que o aumento das doenças psicológicas, como o transtorno de ansiedade, que aumentaram entre os mais jovens durante a pandemia, podem estar relacionadas com as violências pós-retorno à presencialidade.

Regina trouxe ao debate duas pesquisas realizadas pela Fundação Carlos Chagas (FCC) e pelo Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE). O primeiro estudo de 2020, publicado no início da pandemia, evidenciou que 54% dos estudantes achavam que os sintomas de ansiedade aumentaram em seu corpo. Já a pesquisa da CONJUVE evidenciou que 54% dos alunos gostariam que as escolas proporcionem conteúdos voltados para o ensino sobre o controle das emoções.

Professor do DF deseja mais projetos que cultuam a paz

Em entrevista ao Jornal de Brasília, o professor de artes da rede pública de ensino do Distrito Federal, Adeilton Oliveira, que leciona aulas em Planaltina, explica que busca levar sempre a “cultura da paz” para os seus estudantes, a fim de aprimorar a confiabilidade entre os jovens e os funcionários das instituições escolares. “Eu tento ver [a questão da violência] sempre com os meninos, mostrando a cultura da paz dentro de sala de aula, ganhando a confiança dele, para em que qualquer situação de violência, ele venha falar com a gente”, conta.

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O professor, que vivenciou a realidade das escolas públicas tanto no ensino remoto quanto no retorno às atividades presenciais, comenta que, após o período de interrupção das aulas dentro das escolas, o sistema de ensino precisa ser mais atraente para os jovens. Adeilton comenta que os alunos passaram um longo tempo de aprendizado dentro de suas residências, distantes do amparo e do convívio escolar com colegas e professores, o que pode ter influenciado para o aumento das situações de violências.

“Ficar preso em uma sala de aula, ficando o tempo todo somente assistindo aula, não é benéfico para a cabeça dos alunos. Eles já ficaram dois anos em uma pandemia presos, eu acho que tem que ter atrativos, porque a escola do século XXI é muito atrasada “. afirma Oliveira.

O servidor da SEEDF acha que a pasta em que trabalha deveria investir na criação de projetos pedagógicos que busquem apresentar a importância do pacifismo para os estudantes, além do investimento de novos psicólogos, que devem estar presentes no ambiente escolar para realizar atendimentos psicossociais aos jovens alunos. “Eu acho que o Governo [do Distrito Federal] deveria criar políticas de valorização nas escolas, colocando mais psicólogos, conversando com os meninos, com uma política voltada para a cultura da paz, que a gente não vê muito na escola”, conclui o docente de Planaltina.

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