
*Com informações da repórter Camila Costa
Larissa Santiago
larissa.santiago@jornaldebrasilia.com
O Governo do Distrito Federal (GDF) anunciou na tarde desta sexta-feira (2) a saída do diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Onofre de Moraes. A decisão foi divulgada durante pronunciamento do porta-voz do governo, Ugo Braga. Ainda não há previsão de quando será anunciado um novo nome para ocupar o cargo.
De acordo com o porta-voz, o governador Agnelo Queiroz tomou conhecimento hoje sobre as denúncias que envolviam o então diretor-geral da Polícia Civil. Diante disso, Agnelo convocou uma reunião em sua residência oficial em Águas Claras. No encontro, Onofre teria pedido a exoneração do cargo.
Ugo Braga afirmou que o governador aceitou o pedido de Moraes apesar de reconhecer o bom trabalho que o ex-diretor realizou na corporação. O porta-voz disse ainda que a medida se fez necessária para garantir a funcionalidade da polícia no DF.
Agora, o secretário de segurança pública, Sandro Avelar, irá conduzir a substituição de Onofre de Moraes. O governo não deu um prazo de quando o novo diretor será anunciado.
O outro lado
Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira (2) o ex-diretor-geral da Polícia Civil, Onofre de Moraes, informou que pedir demissão neste momento foi a atitude mais sensata e disse que está saindo da corporação de cabeça erguida.
Além disso, ele pediu desculpas às pessoas citadas no vídeo. Em defesa, ele afirmou que a conversa que foi gravada e que é mostrada no vídeo, divulgado nesta quinta-feira (1°), ocorreu em tom de brincadeira e que não sabe o motivo que levou o jornalista a divulgar as imagens.
Por fim, Onofre explicou que o que ele disse sobre a ex-diretora-geral da Polícia Civil, Mailine Alvarenga, ocorreu, pois ele se sentiu ofendido por não ter sido indicado para o cargo quando Agnelo Queiroz assumiu o goveno. Ele alega que foi o delegado que mais trabalhou para a eleição do governador.
Onofre de Moraes disse que não deverá seguir a carreira de policial e informou que deverá se aposentar. O ex-diretor-geral trabalha na corporação há mais de 34 anos.
Entenda o caso
As denúncias envolvendo o ex-diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Onofre de Moraes, começaram depois da publicação de uma reportagem pela revista Veja no último final de semana. Na reportagem o delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, disse que teria recebido uma oferta de R$ 150 mil de Moraes para não fazer denúncias contra o governo do DF. Segundo a publicação, o diretor da polícia teria procurado Sombra para que repassasse a oferta a Barbosa. Em nota divulgada após a publicação da reportagem, Moraes negou a proposta de suborno. Sofrendo ameaças, Sombra postou em seu blog cenas filmadas pelo circuito de segurança de seu condomínio, que mostram o policial em sua casa no último sábado (28), prova que pode servir para legitimar o fato levantado.
Ainda sentindo-se ameaçado por uma entrevista que o ex-diretor teria dado, o jornalista divulgou na noite desta quarta-feira (1º) em seu site um vídeo que mostra ele criticando posturas do governador Agnelo Queiroz, ainda em junho do ano passado. Em uma parte, ele afirma que Agnelo deixaria o cargo por se expor demais e que iria sair do governo “de camburão da Polícia Federal”.
Veja o vídeo