Bruna Sensêve
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Otransporte e o comércio piratas no Distrito Federal não enxergam mais os limites que a fiscalização tenta impor. A insistência de quem opta por essas atividades é um dos fatores mais preocupantes, aliado à dificuldade em punir os infratores. Os veículos que fazem transporte clandestino não podem mais ser apreendidos e os camelôs, em menos de 24 horas, estão de volta ao ponto de onde foram retirados pelos fiscais. As irregularidades atingem um ápice especialmente no início das festas de fim de ano.
De acordo com o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), as medidas tomadas pela fiscalização precisaram ser modificadas no ano passado, desde que algumas ações judiciais interpretaram que na legislação vigente não cabe a apreensão do veículo. Até então, todos os carros flagrados exercendo essa atividade eram levados diretamente para o depósito por fraude ao sistema de transporte. Agora, o condutor é multado em R$ 2 mil, se for a primeira vez; R$ 3 mil, no caso de reincidência e R$ 5 mil, da terceira vez que for flagrado em diante.
Como foi identificado pela reportagem do Jornal de Brasília, na edição de ontem, o transporte pirata chegou a níveis de especialização e organização que surpreendem até mesmo o órgão fiscalizador. Pessoas administram até oito carros e pagam salários a motoristas e laçadores, que buscam os passageiros dentro da Rodoviária do Plano Piloto.
Rotas
Para o gerente de Fiscalização do DFTrans, Alexandre Carvalho, a maior parte dos motoristas que faz o transporte pirata está concentrada dentro das regiões administrativas. Eles teriam visto no interior das cidades uma opção mais rentável, pois há mais passageiros, durante o dia inteiro. Fazer a ligação entre regiões administrativas já não se mostra tão lucrativo.
“Se forem fazer a ligação é diferente. Pega um veículo pequeno e traz os passageiros para o Plano Piloto, são quatro ou cinco pessoas. Se cobrar R$ 3, são R$ 15 para ele vir e depois voltar, provavelmente vazio. Depois não há demanda. Circulando dentro do Recanto das Emas, por exemplo, ele vai ter isso o dia inteiro”, detalha Alexandre Carvalho.
A dificuldade encontrada pela administração pública no controle da pirataria também atinge o comércio ilegal. Flagrados pelo Jornal de Brasília, ontem, camelôs continuam em seus pontos de trabalho. A Secretaria de Ordem Pública e Social (Seops) afirma que, somente neste mês, foram realizados cinco dias de operações, na área central de Brasília. Pouco tempo depois, os camelôs já estavam de volta.
Leia mais na edição impressa desta quarta-feira (30) do Jornal de Brasília.