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Brasília

Filhos de Seu Teodoro garantem que vão seguir os passos do pai

Arquivo Geral

18/01/2012 7h02

Da Redação,
com UnB Agência
redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

Guapiranga Freire, um dos filhos de Seu Teodoro, convive com as tradições do bumba meu boi do Maranhão “desde que se entende por gente”. Ele e outros seis irmãos trabalham no centro idealizado e desenvolvido pelo patrono, que morreu na madrugada do último domingo, aos 91 anos. “Ele sempre se preocupou que a gente não deixasse o bumba meu boi acabar”, relembra Guará, presidente do Centro de Tradições Populares desde 2009. “Estamos todos empenhados em cumprir o desejo do Seu Teodoro.”

 

Tendo concluído somente o curso médio, Guará, como é conhecido, morou com os tios em São Luís entre 1991 e 1998, onde teve contato direto com a cultura local. “No começo foi difícil, mas depois que me adaptei, não queria mais sair de lá. Aprendi muito nessa época”. De volta a Brasília, Guará foi trabalhar com o pai e, em 2004, passou a fazer parte da diretoria do centro, onde pode aplicar os conhecimentos que adquiriu. Dois anos depois já era vice-presidente do centro.

 

Guará conta com a ajuda da sua irmã, Jacy Freire, a vice-presidente da instituição criada por Seu Teodoro. “Meu pai sempre quis que a família se envolvesse e gostasse do que ele fazia”, garante. Apenas três filhos de Seu Teodoro não fazem parte da instituição criada por ele. “Não trabalham com a gente porque moram longe.”

 

O líder do centro explica que atualmente o grupo que encena o bumba meu boi de sotaque da baixada maranhense – embalados por matracas e pandeiros pequenos, entre outras características – é composto por 75 participantes. Eles se apresentam entre 40 e 60 vezes por ano em escolas, feiras e atividades governamentais e da iniciativa privada. Ele é o único do DF. “Tem um de crianças em Ceilândia comandado pela professora Licelda”.

“O centro está aberto a todos aqueles que se interessam pela cultura popular”, convida Guará. Atualmente cerca de 150 pessoas visitam o local todos os meses. A sede fica na Quadra 15, Área Especial 2, em Sobradinho. O e-mail para contato é: boideseuteodoro@gmail.com.

O início

Brasília celebrava seu primeiro ano de existência no dia em que Seu Teodoro desembarcou na cidade. Ele tinha 41 anos, vinha do Rio de Janeiro para presentear a nova capital com a beleza de uma das manifestações mais autênticas da tradição popular do Maranhão.

 

Foi na Rodoviária do Plano Piloto que o boi agitado e colorido praticou suas primeiras peripécias candangas, como que convidando aquelas pessoas a experimentar – para além da construção física de toda uma cidade – a construção simbólica de elementos identificadores da nova comunidade em formação. “O boi de Seu Teodoro, embora remonte a tradição popular do Maranhão, ganhou contornos próprios ao se consolidar em Brasília. Assim como a Via Sacra de Planaltina ou o Clube do Choro, a tradição folclórica do bumba meu boi ajudou a construir um perfil cultural de uma cidade que se criou artificialmente”, analisa o professor José Carlos Condova Coutinho, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB).

 

Ex-diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do DF, Coutinho lembra que o bumba meu boi do seu Teodoro foi uma das primeiras manifestações artísticas a receber o registro de patrimônio imaterial da cidade.

 

“A atuação dele foi irreversível, Teodoro sozinho constitui um capítulo da história cultural da cidade”, diz o cineasta e professor emérito da Faculdade de Comunicação da UnB, Vladimir Carvalho.

 

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