Sheila Oliveira
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No Distrito Federal, 43,4% dos domicílios são comandados por mulheres, de acordo com os dados do Censo 2010, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dez anos, houve um aumento de 10,6 pontos percentuais no número de famílias comandadas por elas, o que equivale hoje a 336.036 lares.
A maioria das chefes de família tem entre 30 e 34 anos e mais de 40% delas são alfabetizadas. A má notícia é que o salário continua menor que o dos homens que chefiam as famílias brasilienses. Em alguns casos, essa diferença pode ser de até 50%.
As estatísticas descrevem a realidade da historiadora Mariana Lima, 33 anos, que há mais de um ano assumiu o posto de chefe de família. Ela mora com os dois filhos, de quatro e oito anos, trabalha seis horas por dia e ganha em média dois salários-mínimos (R$ 1.090). “Acho que o maior desafio da mulher chefe de família é com a educação dos filhos. O pai acaba fazendo falta neste processo”, destaca.
Para complementar a renda da família, Mariana conta com a pensão alimentícia paga pelo pai das crianças. “A quantia ajuda no orçamento familiar, mas ainda assim não é suficiente para arcar com todas as despesas”, conta.
Filhos pequenos
Na avaliação do economista César Bergo, famílias chefiadas por mulheres solteiras com crianças pequenas enfrentam as maiores dificuldades em sustentar o domicílio. “Já quando contam com filhos em idade ativa para trabalhar, eles contribuem, mesmo que com trabalho informal, para complementar a renda da casa”, observa.
Segundo Bergo, a dificuldade da mulher em atingir o teto salarial pago aos homens se deve ao preconceito na hora de contratá-las. “Desta forma, as chefes de família são obrigadas a trabalhar em setores que remuneram menos, principalmente o setor de serviço doméstico”, aponta o economista.
Com o passar dos anos, a diferença salarial entre homens e mulheres só vem aumentando. De acordo com o Censo do ano 2000, os homens do DF ganhavam em média R$ 572 enquanto as mulheres recebiam R$ 400. Hoje, eles ganham R$ 1,1 mil enquanto elas recebem R$ 850., de 52 anos, conta que quando comprou a casa a água não passava pela rua. Mas hoje, quando chove o desgaste é enorme. “Tivemos de contratar um trator para retirar a terra que estava na rua, que desce com a água. Depois que construíram e mudaram o curso do córrego, começaram os problemas”, reclama.
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