O Comitê de Combate ao Uso Irregular do Solo retirou 57 edificações e 1.700 metros lineares de cerca erguidos em área pública da Vila Dnocs, em Sobradinho, neste sábado (2). Duas fossas e uma cisterna foram entupidas. Dezesseis famílias aceitaram ajuda do governo para transferir seus pertences para a casa de parentes. Durante a operação, muitos deles disseram que pagavam até R$ 250 de aluguel para morar em edificações improvisadas de madeira e até R$ 100 para utilizar energia clandestina. A remoção ocorreu sem resistência, entre 8h e 13h.
A operação foi iniciada nesta sexta-feira (1º). A fiscalização do GDF esperava retirar um total de 120 edificações na área, mas só no primeiro dia foram retirados 121. Com os 57 deste sábado o número final da semana chegou a 178 edificações erradicadas. A principal diferença para o primeiro dia, quando todas as edificações retiradas eram feitas em madeira, é que a maioria era feita em alvenaria, 32. As outras 25 em eram construídas de forma precária, umas emendadas às outras. A água era puxada de cisternas para caixas d’água, todas barrentas e que pareciam não ser limpas há anos. Verdadeiras vilas eram exploradas e rendiam até R$ 1 mil de aluguel àqueles que se identificavam como donos dos terrenos. Alguns “lotes” chegavam a ter 12 edificações. Os demais rendimentos viriam de ligações clandestinas de energia, retiradas pela CEB durante a operação.
Exploravam os terrenos, de acordo com as famílias retiradas, parentes de ex-moradores da área já contemplados com casas na Vila Dnocs. A invasão existia desde os anos 70. Em 2007 houve o cadastramento dos mais antigos e que poderiam receber suas moradias pelos critérios escolhidos pelo governo. Invadiram a área aqueles que pretendiam entrar na lista, mesmo depois de encerradas as inscrições.
A operação de retirada ocorreu depois de várias visitas na Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda (Sedest) ao local. A última ocorreu no dia 29 de março, quando mais uma vez foi oferecido o cadastramento para que as famílias em situação de vulnerabilidade social pudessem receber o benefício eventual de até R$ 408. Na ocasião, oito aceitaram e outras 85 se recusaram a se inscrever. Nos dois dias de operação, a Sedest montou um escritório na igreja localizada na entrada da Vila Dnocs. Até a noite de sexta-feira, 25 moradores que mudaram de ideia procuraram a equipe e se cadastraram para receber o benefício. A Secretaria deve verificar se eles poderão ser contemplados.
O Plano Diretor Local (PDL) de Sobradinho determina que a área invadida não poderá ser utilizada para residências, mas para indústrias, comércio e oficinas. De acordo com o chefe de Comunicação da Secretaria da Ordem Pública e Social (Seops), Major Carlos Chagas de Alencar, será montado esquema especial para fiscalizar a área pelos próximos dias. “Nossos agentes vão reforçar a vigilância pelas próximas semanas para que essas pessoas não retornem ao local da invasão. Paralelo a isso, o governo as atenderá no Centro de Referência e Assistência Social (Cras) de Sobradinho para que nenhuma delas fique desamparada”, afirma.
Participaram da operação um total de 279 servidores. Entre os órgãos, estiveram presentes Seops, Sedest, Agência de Fiscalização (Agefis), Polícia Militar, Serviço de Limpeza Urbana (SLU) e Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap).