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Brasília

Faltam médicos para tratamento de dependentes químicos no Caps

Arquivo Geral

17/03/2012 7h04

Da Redação
redacao@jornaldebrasilia.com.br

 

O combate às drogas já há tempos se tornou assunto de saúde pública. Aqui no DF, entretanto, há um caso específico em que o governo deixa a desejar. O Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Flor de Lotus, especializado em tratamento e recuperação de dependentes químicos, localizado em Santa Maria, funciona com precariedade. Sem médico clínico e psiquiatra, o atendimento a dependentes químicos fica comprometido. Há pacientes que necessitam de medicamentos para se recuperar do vício e, por conta da falta dos profissionais, já aguardam atendimento há pelo menos três meses.

 

Atualmente, apenas atividades paliativas são viabilizadas com os recuperandos e familiares.O centro funciona desde outubro de 2010, com o objetivo de dar suporte terapêutico aos portadores de transtornos mentais, dependentes químicos e seus familiares. No entanto, usuários dos serviços realizados no Caps estão sem acompanhamento médico, o que tem dificultado principalmente a recuperação de pacientes em estado de risco – aqueles que sofrem de síndrome de abstinência, ansiedade, irritabilidade, insônia e até mesmo desejo de autoextermínio – que dependem de medicamentos para completar o tratamento feito por meio de palestras e orientações com psicólogos. O problema maior é que qualquer tipo de medicamento que é receitado para esses casos só podem ser orientados por um psiquiatra.

 

Carlos Alberto Borges dos Santos, 48 anos, conta que o Centro de Atenção é um lugar onde as orientações prestadas e as pessoas contribuem para melhora, mas que a falta do médico dificulta e compromete o tratamento. Além disso, reclama que há um mês tenta atendimento com o psiquiatra, mas não consegue. “Aqui é um ótimo lugar para quem quer se recuperar, mas tem gente que sem o remédio não consegue. Eu tenho insônia, quase não durmo. Preciso do médico, mas até hoje não consegui.”

Ele foi usuário de drogas durante dez anos, mas, após ser abandonado pela mulher – que também deixou para trás os dois filhos,  uma menina de 13 e uma criança com cinco anos – decidiu que era hora de mudar de vida. Conta que o maior incentivo foi quando sua filha lhe pediu para deixar o vício.

 “Um mês depois que minha esposa nos deixou, minha filha pediu para eu parar de fazer essas coisas. Ela disse que era hora de mudar de vida. E foram essas palavras que me motivaram a buscar ajuda”, afirma. Após três meses internado em uma clínica para reabilitação, Carlos Alberto voltou para casa, mas ainda com crises de abstinência.

Entre todos os dispositivos de atenção à saúde mental, esses centros têm valor estratégico para a Reforma Psiquiátrica Brasileira. Sua criação possibilita a organização de uma rede substitutiva ao hospital psiquiátrico no País.

Leia mais na edição impressa deste  sábado(17) do Jornal de Brasília.

 

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