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Brasília

Exposição precoce a ruídos, como fones de ouvido, pode causar danos irreversíveis

Arquivo Geral

20/11/2011 9h16

Kamila Farias
kamila.farias@jornaldebrasilia.com.br

 

Fones de ouvido, som alto dentro do carro, em festas e até em casa podem deixar grande parcela dos jovens do DF sem audição. A pesquisa realizada em Brasília mostra que 80% dos estudantes entrevistados, com idades entre 15 e 18 anos,  apresentaram alterações em exames. A tese da fonoaudióloga Valéria Gomes, mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas da Universidade de Brasília (UnB), a ser defendida em janeiro de 2012, sugere que a exposição à música amplificada com frequência pode causar dificuldades auditivas.

 
“Lendo vários artigos e pesquisas, percebi que esse público está se expondo precocemente a ruídos e isso os coloca em um grupo de risco”, explica a fonoaudióloga.  É o que acontece com a estudante  Ana Luiza Noronha, 15 anos, que usa o fone de ouvido com muita frequência. Seja em casa, na escola ou na rua, a música é sua companheira. “A música não é muito alta, mas sempre estou com fone. Tem vezes que não escuto direito, mas nunca me preocupei com isso. Prefiro me preocupar com a qualidade do som”, observa.

 

Conforme o orientador e otorrinolaringologista do Setor de Implante Coclear do Hospital Universitário, André Sampaio, os problemas causados pelo barulho são irreversíveis. “A gente não pode dizer com esse exame se os adolescentes escutam mais ou menos. Mas essas alterações podem comprometer a audição no futuro”, explica.

 

O exame realizado foi o de emissões autoacústicas, que avalia o funcionamento das células ciliadas externas, uma das responsáveis pela audição. O resultado constatou uma maior alteração nos exames de emissão autoacústicas em alunos do sexo masculino e na orelha direita. “A gente não esperava um número tão alto. Os jovens têm que apresentar exames normais e apenas 20% passaram no teste”, informa.

 

“Na literatura fala que as amplitudes são maiores no sexo feminino e no lado direito. Quanto maior a amplitude, maior a resposta. Por isso, acreditamos que houve essa alteração”, completa. Essas células têm papel importante na audição, pois  auxiliam na amplificação do som e, ao serem estimuladas, transmitem um impulso elétrico para o cérebro. “Este impulso é a informação de que a pessoa está ouvindo. Qualquer alteração neste processo pode prejudicar a audição”.

 

Leia mais na edição deste domingo (20) no Jornal de Brasília.

 

 

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