Vinícius Borba
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Nem todas as relações entre pais e filhos são harmoniosas. Aliás, 65% dos pais precisam rever a forma com que tratam os filhos. Um estudo da Universidade Federal do Paraná, feito pela psicóloga e professora Lídia Weber, mostra um panorama pouco animador. Após ouvir cerca de cinco mil filhos em todo o País, ela concluiu que 35% dos pais são negligentes, 15% são autoritários e 15%, molengas – não dão amor ou limites as filhos. No entanto, 35% são tidos como participativos, que dão amor e limites.
O cadeirante A.F., de 34 anos, vive das esmolas que ganha na Rodoviária do Plano Piloto. Ele conta que foi vítima de poliomielite ainda na infância e que abandonou a casa dos pais aos sete anos de idade. “Meu pai era mestre de obra e me agredia com violência. Dele, não conheci amor nenhum, só agressão. Minha mãe acabou nos abandonando e ele (pai) vivia com mulheres e em bares, menos com a gente. Eu nem chegava perto dele, ficava só, num canto, rezando para Deus me mandar algo melhor”, relata.
Os pais de A.F. demonstram a cruel realidade de pais e mães – denominados no estudo de Weber como tipos parentais –, que são, ao mesmo tempo, autoritários e negligentes. Esse tipo não proporciona aos filhos amor nem tampouco limites ou regras.
Desamparadas
De acordo com a psicóloga, as consequências para os filhos nestas condições podem ser nefastas. “Uma pessoa que vive essa realidade pode crescer completamente desamparada. Ela sofre uma série de deficiências, desde dificuldades intelectuais até a séria dificuldade de viver em comunidade, pela falta de regras, além do risco de envolvimento com drogas e o crime”, esclarece Weber.
A.F. cursou apenas até a quinta série do Ensino Fundamental e vive de esmolas. Seus irmãos também vivem em condições de miséria, inclusive três deles são sustentados pelo irmão pedinte.
A professora explica que os tipos parentais são estudados desde a década de 1960 nos Estados Unidos. Os principais critérios adotados no estudo de Lídia Weber foram a responsividade – capacidade dos pais de mostrar afeto –, participação na vida dos filhos e a capacidade de impor limites e regras a casa.
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