Menu
Brasília

Em dez meses houve 550 assassinatos na capital contra 540 em 19 municípios vizinhos

Arquivo Geral

20/11/2011 9h22

Carlos Carone
carone@jornaldebrasilia.com.br

 

Como uma onda que cresce sem parar, o cinturão formado pelos 19 municípios da Região Metropolitana que envolve o Distrito Federal inunda o centro do poder de homicídios. Pela primeira vez em muitos anos, segundo autoridades de Segurança, do DF e de Goiás, o número de mortes violentas registradas na capital da República ultrapassa o total de assassinatos contabilizados na região goiana. Nos primeiros dez meses deste ano ocorreram 540 homicídios na Região Metropolitana, contra 550 no DF. Jamais o chamado “efeito Entorno” esteve tão presente nas estatísticas brasilienses. Faltando 40 dias para fechar o ano, a cúpula da Secretaria de Segurança busca explicações para o alto índice de mortes.

 

Em um rol composto por algumas das cidades mais violentas do Planeta, como é o caso de Luziânia – que apresenta taxa de 73,91 homicídios por grupo de cem mil habitantes –, a criminalidade que corre solta do lado goiano atravessa, em massa, as fronteiras para cometer crimes em todas as regiões do DF. O subsecretário de Operações da Secretaria de Segurança do DF, coronel Jooziel Freire, também utiliza dados para explicar a grande incidência de assassinatos. “Os números apontam que dos 550 homicídios registrados, 313, ou 57% do total, tinham como vítimas homens envolvidos com o mundo do crime. Boa parte era moradora do Entorno e praticava crimes no DF, além de já ter cumprido pena pela prática de crimes diversos”, afirmou o subsecretário.

 

A comparação impressiona quando as infraestruturas técnica e operacional das duas localidades são colocadas lado a lado. Enquanto o DF conta com um aparato tecnológico de primeiro mundo a serviço das polícias Militar e Civil e possui o maior quociente policial por habitantes, aproximadamente um para cada 176 habitantes, as cidades da Região Metropolitana estão nas mãos da marginalidade, com delegacias esvaziadas e apenas uma viatura para atender a uma determinada cidade com cem mil habitantes. Para se ter uma ideia da carência policial nos municípios vizinhos – que juntos possuem 1,5 milhão de habitantes – o número é de apenas um policial militar para cada grupo de 574 indivíduos, o mesmo ocorrendo com os policiais civis, com um agente para cada 2.415 habitantes.

 

Riscos

 

A situação de risco nos municípios da Região Metropolitana é apontada por integrantes da própria Secretaria de Segurança goiana como um dos principais fatos que alavancam a criminalidade nas cidades  do DF limítrofes com Goiás. “É como se o anel populacional em torno de Brasília funcionasse como uma forca que, aos poucos,  aperta e sufoca o DF, provocando como um dos efeitos colaterais a enxurrada de crimes violentos”, alertou o chefe de Gabinete de Gestão de Segurança Pública do Entorno do DF, coronel Edson da Costa Araújo.

 

Desde fevereiro deste ano no cargo, o oficial, ex-comandante da PM goiana, encontrou dificuldades até para mapear os crimes que pipocam na área. Anos de inércia fizeram com que números importantes se perdessem em meio à ausência da segurança pública nas cidades. “Conseguimos recuperar as estatísticas dos últimos quatro anos. Tomando como base esse período,  chegamos à conclusão de que os números da criminalidade crescem no Entorno a uma taxa de 20% a 25% ao ano, sem dó nem piedade. Apenas o homicídio cresce  23% ao ano. É uma questão matemática. É como se nós soubéssemos quantas pessoas vão morrer”, analisou.

 

Leia mais na edição deste domingo (20) no Jornal de Brasília.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado