Gabriela Coelho
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“Fui diagnosticado com uma deficiência renal em abril deste ano e rapidamente já tive um indicativo para transplante. A minha família se dispôs a ajudar, mas como a doença é hereditária, meus filhos não puderam. Tive o auxílio da minha mulher que me doou um rim e passou por essa fase comigo. O sentimento é de gratidão. É uma segunda chance de vida porque nasci há 58 anos e renasci há oito meses”, diz o aposentado Marcos Sócrates. Esta é apenas mais uma história de transplantes no Distrito Federal.
A mulher de Marcos, Neuzirene Almeida, conta que a experiência é um aprendizado. “Fiz e hoje me sinto melhor do que antes. É um sofrimento, tanto no pré como no pós operatório, mas estamos bem. É bom saber que ele está bem e que ele está comigo”.
Segundo dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), de janeiro a novembro deste ano foram realizados 297 transplantes de rins, córnea e coração no DF. De acordo com a coordenadora da Central de Captação de Órgãos da Secretaria de Saúde, Daniela Salomão, este mês o DF foi credenciado pelo Ministério da Saúde para realizar também transplantes de fígado no Instituto do Coração, por uma equipe composta por profissionais de São Paulo e de Brasília.
Segundo Daniela, a fila de pacientes com indicação para transplante de fígado está sendo estudada. “Quando o médico identifica a necessidade da cirurgia faz contato com a Central de Captação de Órgãos. A partir daí, o paciente é encaminhado para consulta de transplante e passa a aguardar a doação do órgão”, explica.
Do total de transplantes realizados neste ano pela rede pública, 253 foram de córnea. “Estamos acima da média nacional neste tipo de transplante”, explica Daniela Salomão. Também foram feitos 36 transplantes de rim e oito de coração no DF.
Transplantes renais podem ser realizados nos Hospitais de Base, Universitário de Brasília, Regional da Asa Norte e Santa Lúcia. Transplante cardíaco no Instituto do Coração do DF e no Hospital Santa Lúcia e de fígado, no Instituto do Coração. Já os procedimentos de córnea são feitos no Hospital de Base, Universidade Católica, HUB, além de nove hospitais particulares.
Daniela conta ainda que no DF, o transplante de córnea tem uma espera de três meses. Transplantes de rim e coração são mais complexos porque englobam outros fatores. “O transplante de rins ou coração demora mais porque a doação desses órgãos depende da compatibilidade genética, do grupo sanguíneo e do peso. Existem hoje, cerca de 400 pacientes esperando na fila por um rim e cerca de cinco na espera de um coração”, afirma.
O Hospital Universitário de Brasília (HUB) comemorou ontem os cinco anos da unidade de transplantes com um balanço do que foi feito até hoje. A comemoração do Centro de Transplantes do HUB é um evento tradicional que, em 2011, reuniu 42 transplantados de rim e 64 de córnea.
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