Carlos Carone
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Demolir pontos de consumo de drogas, reforçar o policiamento ostensivo ou intensificar a iluminação pública em locais críticos representam, apenas, um pequeno golpe contra a epidemia de crack vivida pelo Distrito Federal. A queda do Castelo de Grayskull, em Ceilândia, deixou mais evidente a migração em massa dos usuários das pedras. A maioria vive nas ruas e, segundo um estudo da Universidade de Brasília (UnB), 85% de uma população de 2,5 mil moradores de rua usa drogas, entre elas o crack.
Apesar de não ser uma clientela exclusiva – uma vez que a epidemia atinge todas as classes da sociedade –, a população de rua se torna cada vez mais dependente do crack. De acordo com a pesquisa acadêmica, as pedras só perdem para drogas lícitas como o tabaco e o álcool. O levantamento, feito por meio de uma espécie de censo – com um questionário respondido pelos moradores de rua –, identificou que 25% dos usuários de crack que vivem nas ruas se concentram na área central de Brasília, região com a maior quantidade de usuários.
Em segundo lugar, a cidade onde os moradores de rua disseram consumir mais crack foi Taguatinga, com 19% dos casos. Em seguida vem Águas Claras, com 16,6% da incidência de usuários. Ceilândia, berço do crack, aparece apenas em quinto lugar, com 7,3% dos entrevistados dizendo que fumam as pedras. Segundo uma das pesquisadoras que participou do trabalho, Camila Potyara, muitos são os motivos para a população de rua sucumbir aos encantos do crack.
“O frio, o medo, a fome, o sofrimento causado pelo preconceito e pela discriminação são fatores determinantes para o consumo destas substâncias. Ademais, além de encontrarem nelas uma fuga (temporária ou permanente) da realidade experimentada em seus cotidianos, algumas drogas são mais baratas e mais acessíveis do que alimentos”, disse a mestra pela UnB.
Investigações conduzidas pela Polícia Civil já mapearam que muitos moradores de rua são aliciados por traficantes para revender a droga em troca de uma pequena quantidade. De acordo com o delegado regional da Polícia Civil responsável pela área de Ceilândia, Adval Cardoso de Matos, moradores de rua acabam se tornando, além de usuários, pequenos traficantes.
“Eles trabalham por muito pouco e tentam vender a droga o mais rápido possível para conseguir a quantidade necessária para poder fumar. Acabam até contraindo dívidas com os traficantes maiores e se tornam vítimas de homicídios por acerto de contas”, disse o delegado.