Francisco Dutra
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“Procura-se empregada doméstica.” Essa frase se repete cada vez mais pelo Distrito Federal, para a aflição de solteiros, solteiras e famílias com necessidade de uma mão extra para manter a casa em ordem. A falta dessas trabalhadoras e trabalhadores pode ser vista nos números da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED). Conforme o estudo, de 2010 para 2011 o número de empregados domésticos encolheu de 95 mil para 89 mil no DF. Trata-se de uma queda de seis mil profissionais para cuidados com crianças, alimentação, limpeza e organização dentro dos lares.
Segundo o diretor de Gestão da Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), Julio Miragaya, a recuperação salarial dos trabalhadores de todas as camadas e o aumento do nível da escolaridade podem estar por trás dessa mudança do mercado. A renda média das pessoas ocupadas saltou de R$ 1.720 para R$ 2.093, de 2003 para os dias de hoje. Motivadas por um mercado aquecido por bons salários, empregadas domésticas estariam trocando o serviço do lar por outros postos, como o de secretária ou vendedora.
Vindas de fora
Tendo acesso à educação, as filhas das empregadas domésticas, que no passado seguiam a profissão das mães, hoje buscam a sorte em empregos mais valorizados. Miragaya também suspeita de que parte das vagas de domésticas do DF esteja sendo preenchida por mão de obra da Região Metropolitana. Vivendo em condições econômicas e sociais inferiores em relação ao DF, essas trabalhadoras veem a vaga de mensalista ou diarista como boas oportunidades. Como vivem além da fronteira do DF essa massa não é contabilizada pela PED.
Segundo o diretor de Gestão, nessa fase de transformação do mercado, a escassez de mão de obra qualificada aumenta o poder barganha das empregadas. Por isso, os salários estão em franca tendência de alta no Distrito Federal. Uma diarista recebe, em média, R$ 70 e uma mensalista ganha de um a dois salários-mínimos.