Luís Augusto Gomes
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Cerca de 2,5 mil alunos de um escola de Ensino Fundamen de Planaltina podem ter ficado boa parte do ano letivo sem merenda escolar. Os alimentos teriam sido desviados pelo diretor da escola, S.H.S.G., de 37 anos. O esquema é investigado pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administraç ão Pública (Decap). Há suspeita do envolvimento de outros servidores.
Na casa do professor, a polícia recolheu kits em forma de cestas básicas – que seriam distribuídos a instituições de famílias carentes – montados com alimentos desviados da escola e material esportivo.
Segundo a investigação, o desvio ocorria desde abril, mas só começou a ser investigado pela polícia na semana passada, depois que a Decap recebeu informação da Secretaria de Transparência do Governo do Dis trito Federal de que a merenda da escola estava sendo desviada.
O delegado Felipe Maciel, chefe da Decap, informou que a Justiça concedeu mandado de busca e apreensão na casa de S.H.S.G. No endereço foram encontradas as provas que incriminam o diretor. Ele teria confessado o desvio e afirmou que foram doados, desde abril, 150 kits.
Os investigadores recolheram cestas básicas encontradas na escola. Procurado pela reportagem, S.H.S.G. disse que há 11 anos é professor vinculado à Secretaria de Educação. Há um ano, exerce o cargo de diretor da escola. Ele afirmou que a secretaria envia merenda quatro vezes por ano para os estabelecimentos de ensino. A quantidade é baseada no número de alunos.
No primeiro trimestre, o envio ocorreu dentro do previsto. No segundo, encaminhou uma parte. Já no terceiro a escola recebeu o que tinha direito e o restante acumulado no trimestre anterior. Devido à quantidade, o risco de vencimento de prazo e a evasão de alguns alunos, a escola teria pedido o cancelamento no quarto trimestre. Mas, a solicitação não foi atendida. “Existem escolas com a mesma quantidade de alunos que temos onde a merenda faltou e nós doamos a elas”, afirma.
Justificativa
O diretor explicou ainda que a escola recebia merenda para 2,8 mil estudantes. S.H.S.G. admite ter errado ao desviar os alimentos para outra finalidade. “Sou consciente de que estava errado, mas sei também que na comunidade existem famílias passando fome”, explica.
Uma sindicância foi aberta pela Regional de Ensino de Planaltina para investigar o caso. A princípio, a comissão terá 30 dias – prorrogáveis por igual período – para apuração.