Eles gostam de tecnologia, unhealthy ciência, informática, cinema, livros, videogames, histórias em quadrinhos, jogos de tabuleiro, RPG, fantasias de personagens. E não se envergonham disso. Para brindar esse estilo de vida um tanto quanto intelectual e discriminado na sociedade, foi criado na Espanha, em 2006, o Dia do Orgulho Nerd ou ou Dia do Orgulho Geek. Celebrada em
25 de maio – hoje, para ser mais exato–, a data é uma homenagem ao dia de estreia do primeiro filme da série Star Wars, em 1977, símbolo de uma legião de fanáticos nerds.
A iniciativa advoga o direito de toda pessoa ser um nerd ou um geek (veja Saiba Mais). O técnico em informática Leonardo Araújo, 31 anos, explica a diferença. “Os dois tipos gostam de ciência e tecnologia, RPG e videogame, mas o nerd tem aquela imagem do óculos fundo de garrafa, bobão e que todo mundo malha”, resume. “Já o geek é um camarada descolado”, diz ele, conhecido como Khan Leo Maxtower.
Estilista de fantasias de personagens e louco por Star Wars, Hermes Barreto Neto, 37 anos, vai além. “O ponto em comum é uma imensa sede de conhecimento. Não posso ficar muito tempo sem ler, é fisicamente doloroso”, jura. Khan Leo acrescenta que os nerds e geeks estão sempre com notebooks, palmtops e uma quantidade razoável de livros.
“Tenho o maior orgulho de ser assim, é só olhar quem está governando o mundo hoje, não é o Bill Gates?”, diz Hermes, que, com Leo, faz parte de um grupo formado por cientista político, biólogos, estudante de medicina e outros profissionais que se consideram geek. Eles se reunem todos os finais de semana para assistir filmes, conversar e trocar informações sobre videogames, jogos, sociologia e antropologia. “Na maioria das vezes, é um equívoco o estereótipo de que temos pouca habilidade social”, diz Hermes.
Na tarde de ontem, eles discutiam os preparativos para a 25ª edição de uma festa medieval que
terá direito a cenário, fantasias, comidas e jogos da época. Tudo fruto de muita pesquisa e dedicação.
Estereótipo
O casal formado pelo servidor público Aniello Greco e a bióloga Juliana Thomé quebra mais um estereótipo. “Ao contrário do que as pessoas dizem, nerds também namoram”, afirma Greco, aos risos. A bióloga Ana Lu completa: “Nerds reproduzem”, diz, apontando para Anna Laura, filha de Hermes.
Greco ressalta que a sociedade tem preconceito contra pessoas inteligentes, que conhecem o que poucos têm acesso. “Quando mostramos algum conhecimento, as pessoas nos acham arrogantes”, lamenta. A bancária e empresária Ariana Arruda conta que já sofreu na pele esse
problema. “Tem muito homem que tem medo de mulher inteligente”, observa ela, que já foi dispensada por conta de seu nível intelectual.
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Confira o manifesto criado para celebrar o primeiro Dia do Orgulho Nerd, em 2006: |
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