O Distrito Federal participa, nesta quinta-feira (28), da 20ª edição do Dia Livre de Impostos (DLI), campanha nacional que busca conscientizar a população sobre o peso da carga tributária brasileira. No DF, consumidores poderão encontrar produtos e serviços com descontos que chegam a 33%, em uma ação coordenada pela CDL Jovem DF e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
Durante a mobilização, comerciantes vendem produtos sem repassar ao consumidor o valor referente aos tributos. A proposta é mostrar, de forma prática, quanto os impostos impactam diretamente o custo de vida da população e o funcionamento das empresas. Segundo o Impostômetro, apenas nos primeiros cinco meses do ano o Brasil já ultrapassou a marca de R$ 1 trilhão em arrecadação. No Distrito Federal, o valor já supera R$ 100 bilhões, cerca de 6% do total arrecadado no país.
DF se tornou referência no movimento
De acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do DF (CDL-DF), Eduardo Rodrigues, Brasília ganhou destaque nacional pela adesão crescente ao movimento e pela participação do consumidor.
“O DF participa do Dia Livre de Impostos há vários anos e, ao longo desse período, a mobilização ganhou cada vez mais força. Brasília acabou se tornando uma referência nacional dentro do movimento, especialmente pela grande adesão do comércio e pela repercussão junto aos consumidores”, afirma.
Segundo ele, o principal objetivo da campanha é tornar visível algo que, muitas vezes, passa despercebido no cotidiano da população. “O consumidor paga impostos em praticamente tudo o que consome, mas nem sempre percebe o tamanho desse impacto no preço final dos produtos e serviços”, explica.
A expectativa da CDL-DF é de crescimento na adesão de comerciantes neste ano, reunindo diferentes segmentos do varejo e de serviços. A entidade afirma que o movimento ganhou mais força à medida que o debate sobre tributação passou a ocupar espaço maior nas discussões econômicas do país.
Consumidor compra mais e movimento ganha força
Entre as empresas participantes no Distrito Federal está a rede Agittus Calçados, que oferecerá 30% de desconto em todos os produtos das lojas durante a ação. Sócio da empresa, Yago Arrais afirma que o principal objetivo da campanha vai além das vendas e busca conscientizar os consumidores sobre o peso da carga tributária no preço final dos produtos. “O principal intuito de aderirmos à campanha é conscientizar o consumidor do peso da carga tributária no custo do produto”, afirma.
Segundo o comerciante, além dos descontos, as lojas também investem em ações educativas, com treinamento das equipes, distribuição de panfletos e materiais explicativos para orientar os clientes sobre a proposta do movimento. A adesão do público, segundo ele, costuma ser imediata. “Os consumidores costumam gastar bem mais, e os consumidores que não iriam comprar acabam comprando. Tivemos quase mil clientes a mais no ano passado”, relata.
Outra empresa que participa da mobilização é a rede Lord Perfumaria, especializada em perfumes importados em Brasília. A marca integra o movimento desde as primeiras edições realizadas no DF e, neste ano, oferecerá descontos de até 50% em produtos selecionados. Para o diretor de franquias da empresa, Lucas Muniz, a campanha também funciona como uma forma de aproximar o consumidor da discussão sobre a alta tributação no país.
“A gente consegue trazer para o cliente preços melhores e mostrar a diferença que os impostos fazem no valor final dos produtos”, afirma. Segundo ele, o Dia Livre de Impostos evidencia como itens considerados inacessíveis podem se tornar mais próximos da realidade do consumidor sem a carga tributária elevada. “Vamos poder mostrar para os clientes como esses perfumes e produtos ficam muito mais acessíveis sem uma carga tributária tão pesada”, completa.
E os consumidores? Estão atentos ao movimento e aos descontos provocados pela retirada simbólica dos impostos? Na capital federal, Lhais Silva e Janaína Duarte foram surpreendidas pela iniciativa. Secretária em uma clínica médica, Janaína Duarte, de 27 anos, conta que ainda não conhecia a campanha, mas aprovou a proposta. “Acho interessante essa oportunidade de comprar algumas coisas com imposto zero”, comenta.
Apesar de não ter se programado para aproveitar os descontos deste ano, Janaína afirma que pretende se preparar para a próxima edição. “No próximo ano irei me preparar para poder comprar algumas coisinhas”, diz. Para ela, o principal benefício é a possibilidade de adquirir produtos com preços mais acessíveis. “O bom é que o consumidor pode comprar produtos por valores menores”, conclui.
Já a estudante Lhais Silva, de 22 anos, conta que percebeu a redução de preços em algumas lojas no ano passado, mas só agora entendeu que os descontos estavam ligados ao Dia Livre de Impostos. “Eu consegui aproveitar porque estava no shopping no dia e consegui comprar”, relata. Ao descobrir que a ação acontece anualmente, a estudante diz que pretende ficar atenta nas próximas edições. “Saber que é um movimento que acontece todos os anos é muito bom. Vou me preparar para o próximo”, afirma.
Reforma tributária e concorrência internacional entram no debate
Além dos descontos, o DLI deste ano também amplia a discussão sobre a reforma tributária e os impactos da carga fiscal sobre as empresas brasileiras. Em manifesto divulgado nacionalmente, a CNDL afirma que o ambiente de negócios brasileiro segue marcado por burocracia, insegurança jurídica e alta tributação.
O documento demonstra preocupação com o período de transição entre os modelos antigo e novo de tributação, alertando para o risco de aumento nos custos operacionais e maior complexidade fiscal para empresas de todos os portes. A entidade também teme que o Brasil passe a ter uma das maiores alíquotas de IVA do mundo.
Outro ponto defendido pelo setor é a chamada “isonomia tributária” entre empresas nacionais e plataformas internacionais de comércio eletrônico. Segundo a entidade, varejistas brasileiros enfrentam uma carga tributária maior do que empresas estrangeiras que vendem para consumidores do país.
Para os organizadores, o movimento vai além dos descontos e busca provocar reflexão sobre competitividade, simplificação tributária e qualidade do retorno dos impostos pagos pela população.