Camila Costa
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No Distrito Federal, 92,5% da população afirma saber identificar a própria cor. Do total, 10,9% se autodefinem como negros. Os dados são da amostra Pesquisa das Características Étnico-Raciais da População: um Estudo das Categorias de Classificação de Cor ou Raça, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado, segundo o pesquisador do IBGE Leandro Athias, demonstra um aumento da valorização da cor negra. No entanto, não se pode ter um número certo do crescimento, já que a pesquisa é classificada como estudo e não abrange todos os itens relacionados nas últimas pesquisas semelhantes, feitas em 1976 e 1998. “Apesar disto, temos um aumento que demonstra uma revalorização do termo e da autocaracterização. É interessante que as pessoas entendam que a cor ou a raça influenciam na vida delas e são aspectos importantes”, explica.
Entre as que dizem saber definir sua cor, 29,5% se autoclassificam como pardos e 21,1% como morenos. “A categoria morena é a mais complicada, pois mistura muita coisa. Pode ser, por exemplo, um branco bronzeado”, aponta Athias.
Cor da pele
Na hora de ponderar em qual classe de cor ou raça está incluído, segundo a pesquisa Étnico-Raciais do IBGE, a maioria da população leva em consideração a cor da pele. Cerca de 68,2% olham para a ela na hora de dizer se é branco, negro ou pardo. Outros aspectos como a cultura e a tradição (23,5%), traços físicos como cabelo, nariz e boca (52,9%) e a origem familiar/antepassados (62,2%) também são levados em conta na hora da autoclassificação.
Para Athias, além de considerar a importância da raça na vida das pessoas, é preciso observar em quais setores a cor das pessoas influencia no seu dia a dia. “É preciso dar ênfase nestas questões, pois dimensionam aonde estão acontecendo as interferências”, explica o pesquisador. Em primeiro lugar está a influência no trabalho, com 86%. Aproximadamente 78% afirmam sentir influências no convívio social, enquanto 74,8% sentem na esfera judicial e policial.
De acordo com os dados preliminares do Censo 2010, o Distrito Federal tem, hoje, 2.570.160 habitantes. Os negros somam 198.072 desta população. Destes, 103.009 são homens e 95.063 mulheres. Uma pesquisa iniciada pela Companhia de Planejamento do DF (Codeplan), feita até agora em 21 das 30 regiões administrativas da unidade da federação, aponta que a população negra está concentrada nas cidades onde o poder aquisitivo das pessoas é mais baixo.
Regiões
Em Águas Claras, indica o levantamento, 54,1% da população é branca, enquanto 3,5% são de pretos e 41,6% são de pardos. Em comparação com a Cidade Estrutural, uma das regiões mais carentes do DF, este quadro é revertido para 23,8% de brancos e 75,9% entre pretos e pardos. “Começamos a avaliar que isto se repete em outras regiões, como Varjão, Paranoá, São Sebastião, onde a condição dos moradores é mais crítica socialmente”, explica a presidente da Codeplan, Ivelise Longhi.
Este quadro atual, segundo Ivelise, pode ser ligado, diretamente, às questões de emprego e renda associados, automaticamente, às condições de educação. Entre as regiões avaliadas até agora, 88% da população que não é negra está empregada, com um índice de desemprego na média de 12%, contra 85% dos negros e pardos, com índice de desemprego em 14,5%. “A diferença é pequena, mas percebemos que se a grande defasagem não está no aspecto do desemprego, podemos associar aos salários, que puxam a educação”, avalia Ivelise.
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