Francisco Dutra
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Acada dez adolescentes de 15 a 17 anos, pelo menos três não frequentam as salas de aula do Ensino Médio no Distrito Federal. Por outro lado, a taxa de frequência nas escolas dos jovens brasilienses é de 68,8%, sendo a maior do Brasil. Na média, a taxa nacional é de apenas 47,9%.
Estes números fazem parte do estudo Presença do Estado no Brasil, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Abordando também outras áreas, como Saúde e Trabalho, o levantamento mostra que a sombra da desigualdade paira não apenas no DF, mas em todo o País.
Marcada por profundos problemas sociais, a Estrutural abriga personagens dos dois lados desta moeda. Lá estão aqueles assistidos pelo Poder Público e aqueles que não contam com ele. Aproveitando as férias na casa de uma tia, Lucas Gontijo, 15 anos, espera ansioso a volta às aulas. Fã de matemática e avesso ao português, ele pretende se tornar “alguém na vida” usando o que aprende em livros e lições. ”Sempre estudei e acho legal”, resumiu o adolescente.
A poucos quilômetros da quadra esportiva, outro adolescente se encontra há pelo menos dois anos longe dos estudos. Com 17 anos, ele pediu para não ser identificado. “Parei. Não quis mais ir”, comentou. Sem livros e sem amigos, ele passa a maior parte do tempo dentro de casa. Parentes explicam que o rapaz nunca revelou o motivo para a desistência dos estudos. “Ele chorava para não ir para a escola”, lembrou a mãe, que ainda nutre a esperança de que o filho volte à escola.
Ao mesmo passo que o DF tem a maior taxa de frequência líquida de adolescentes no Ensino Médio, a capital brasileira também é a região brasileira com a maior taxa de abandono de sala de aula por jovens de 15 a 17 anos. Segundo o professor de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Remi Castioni, a taxa de abandono no DF é de 22%, enquanto a nacional é de 12%.
Desinteresse
Segundo Castioni, a cada três alunos que estão em sala de aula, um está ainda cursando o Ensino Fundamental e outros dois abandonaram os estudos. Para o especialista, o abandono é decorrente do desinteresse dos adolescentes, seja pelo excesso de conteúdo, seja por aulas desvinculadas de sua realidade ou objetivos de vida. “É preciso uma nova concepção de Ensino Médio para acabar com o desencanto dos jovens para com a escola”, resumiu.
Castioni lembrou que o DF tem plenas condições para formatar um novo modelo. O que falta, em sua opinião, é concretizar ideias e projetos. Mas por hora, o professor não vê mudanças em curso.
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