Bruna Sensêve
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Ageração de energia para a população a partir do Lago Paranoá está ficando cada vez mais comprometida. O motivo é o assoreamento do espelho d’água, que já perdeu 7% de seu volume de água com a aceleração do depósito de sedimentos, especialmente nas bordas do reservatório, como mostrou o Jornal de Brasília na edição de ontem.
O alerta da Companhia Energética de Brasília (CEB) surpreende a muitos. Isso porque se imagina que o problema afetaria, principalmente, o abastecimento de água, que começa a ser estudado pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), mas, como se vê, o problema é ainda mais amplo.
O assoreamento do Lago atinge diretamente a perda de superfície. Somente no braço do Bananal já foi perdido mais de um quilômetro de espelho d’água. Da mesma forma, o braço do Riacho Fundo perdeu mais de três quilômetros de sua extensão. Áreas que hoje não podem ser utilizadas para a geração de energia. “A geração de energia elétrica é feita com o primeiro metro de lâmina d’água, que é a parte que está mais comprometida. O primeiro metro que perderam é o que seria usado para a geração de energia”, detalha o professor do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), Henrique Roig.
O consultor de Recursos Naturais e Comercialização de Energia Elétrica da CEB-Geração Luciano Campitelli Conti explica que o reservatório do Lago Paranoá foi destinado a múltiplos usos desde sua construção. Apenas uma de suas finalidades é a geração de energia, por esse motivo o dimensionamento do reservatório é muito maior que o necessário.
Lâmina d’água
O volume é necessário devido aos outros usos, como navegação, lazer, pesca e manutenção do ecossistema de fauna e flora do Lago. “A princípio, tínhamos 40 quilômetros quadrados de lâmina d’água, hoje podemos estimar que esse número caiu bastante, e deve chegar a pouco mais de 35 quilômetros quadrados”, avalia o consultor.
A produção de energia está restrita exatamente à camada superior do Lago e seus afluentes, que são os maiores atingidos pelo assoreamento. Devido ao uso e ocupação do solo desenfreados, a água chega com uma velocidade muito alta à usina e não pode ser usada na geração de energia elétrica.
Antes, quando havia maior possibilidade de infiltração, a água chegava a uma velocidade aproveitável, que também poderia ser armazenada. “Trabalhamos com potência de geração. Quando o volume para consumir a água que está chegando é excessivo, precisamos abrir os vertedores e deixar passar. Somente no final do ano passado fizemos até quatro aberturas para extravasar esse volume”, detalha Luciano Conti.
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