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Brasília

Depósito de sedimentos no Paranoá afeta a geração para a usina do lago

Arquivo Geral

06/02/2012 7h50

Bruna Sensêve

bruna.senseve@jornaldebrasilia.com.br

 

Ageração de energia para a população a partir do Lago Paranoá está ficando cada vez mais comprometida. O motivo é o assoreamento do espelho d’água, que já perdeu 7% de seu volume de água com a aceleração do depósito de sedimentos, especialmente nas bordas do reservatório, como mostrou o Jornal de Brasília na edição de ontem. 

 

O alerta da Companhia Energética de Brasília (CEB) surpreende a muitos. Isso porque  se imagina  que o problema afetaria, principalmente, o abastecimento de água, que começa a ser estudado pela Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), mas, como se vê, o problema é ainda mais amplo.

 

O assoreamento do Lago atinge diretamente a perda de superfície. Somente no braço do Bananal já foi perdido mais de um quilômetro de espelho d’água. Da mesma forma, o braço do Riacho Fundo perdeu mais de três quilômetros de sua extensão. Áreas que hoje não podem ser utilizadas para a geração de energia. “A geração de energia elétrica é feita com o primeiro  metro de lâmina d’água, que é a parte que está mais comprometida. O primeiro metro que perderam é o que seria usado para a geração de energia”, detalha o professor do Instituto de Geociências da Universidade de Brasília (UnB), Henrique Roig.

 

O consultor de Recursos Naturais e Comercialização de Energia Elétrica da CEB-Geração Luciano Campitelli Conti explica que o reservatório do Lago Paranoá foi destinado a múltiplos usos desde sua construção. Apenas uma de suas finalidades é a geração de energia, por esse motivo o dimensionamento do reservatório é muito maior que o necessário.

 

Lâmina d’água

O volume é necessário devido aos outros usos, como navegação, lazer, pesca e manutenção do ecossistema de fauna e flora do Lago. “A princípio, tínhamos 40 quilômetros quadrados de lâmina d’água, hoje podemos estimar que esse número caiu bastante, e deve chegar a pouco mais de 35 quilômetros quadrados”, avalia o consultor.

 

A produção de energia está restrita exatamente à camada superior do Lago e seus afluentes, que são os maiores atingidos pelo assoreamento. Devido ao uso e ocupação do solo desenfreados, a água chega com uma velocidade muito alta à usina e não pode ser usada na geração de energia elétrica. 

 

Antes, quando havia  maior possibilidade de infiltração, a água chegava a uma velocidade aproveitável, que também poderia ser armazenada. “Trabalhamos com potência de geração. Quando o volume para consumir a água que está chegando é excessivo, precisamos abrir os vertedores e deixar passar. Somente no final do ano passado  fizemos até quatro aberturas para extravasar esse volume”, detalha Luciano Conti.

 

Leia mais na edição impressa desta segunda-feira (06) do Jornal de Brasília.

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