O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol) fechou uma lista com três nomes para indicar ao cargo de diretor-geral da Polícia Civil em reunião realizada na noite de quinta-feira (2).
Os escolhidos pelo Sinpol são: Eric Seba, diretor do Departamento de Polícia Circunscricional (DPC); Cláudio Magalhães, diretor da Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) e Jorge Luiz Xavier, que atua no serviço de inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSP). A lista será entregue nesta sexta-feira (3) ao governador Agnelo Queiroz.
Exoneração
O Governo do Distrito Federal (GDF) anunciou na tarde de ontem a saída do diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Onofre de Moraes. A decisão foi divulgada durante pronunciamento do porta-voz do governo, Ugo Braga.
De acordo com o porta-voz, o governador Agnelo Queiroz tomou conhecimento ontem sobre as denúncias que envolviam o então diretor-geral da Polícia Civil. Diante disso, Agnelo convocou uma reunião em sua residência oficial em Águas Claras. No encontro, Onofre teria pedido a exoneração do cargo.
Ugo Braga afirmou que o governador aceitou o pedido de Moraes apesar de reconhecer o bom trabalho que o ex-diretor realizou na corporação. O porta-voz disse ainda que a medida se fez necessária para garantir a funcionalidade da polícia no DF.
O outro lado
Em coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira, o ex-diretor-geral da Polícia Civil, Onofre de Moraes, informou que pedir demissão neste momento foi a atitude mais sensata e disse que está saindo da corporação de cabeça erguida.
Além disso, ele pediu desculpas às pessoas citadas no vídeo. Em defesa, ele afirmou que a conversa que foi gravada e que é mostrada no vídeo, divulgado nesta quinta-feira (1°), ocorreu em tom de brincadeira e que não sabe o motivo que levou o jornalista a divulgar as imagens.
Por fim, Onofre explicou que o que ele disse sobre a ex-diretora-geral da Polícia Civil, Mailine Alvarenga, ocorreu, pois ele se sentiu ofendido por não ter sido indicado para o cargo quando Agnelo Queiroz assumiu o goveno. Ele alega que foi o delegado que mais trabalhou para a eleição do governador.
Onofre de Moraes disse que não deverá seguir a carreira de policial e informou que deverá se aposentar. O ex-diretor-geral trabalha na corporação há mais de 34 anos.
Entenda o caso
As denúncias envolvendo o ex-diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Onofre de Moraes, começaram depois da publicação de uma reportagem pela revista Veja no último final de semana. Na reportagem o delator do mensalão do DEM, Durval Barbosa, disse que teria recebido uma oferta de R$ 150 mil de Moraes para não fazer denúncias contra o governo do DF. Segundo a publicação, o diretor da polícia teria procurado Sombra para que repassasse a oferta a Barbosa. Em nota divulgada após a publicação da reportagem, Moraes negou a proposta de suborno. Sofrendo ameaças, Sombra postou em seu blog cenas filmadas pelo circuito de segurança de seu condomínio, que mostram o policial em sua casa no último sábado (28), prova que pode servir para legitimar o fato levantado.
Ainda sentindo-se ameaçado por uma entrevista que o ex-diretor teria dado, o jornalista divulgou na noite desta quarta-feira (1º) em seu site um vídeo que mostra ele criticando posturas do governador Agnelo Queiroz, ainda em junho do ano passado, na época investigado pela Polícia Federal. Em uma parte, ele afirma que Agnelo deixaria o cargo por se expor demais e que iria sair do governo “de camburão da Polícia Federal”.