Leonardo Silva
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A vaidade não precisa de espelho. Essa é a teoria que ronda as dez candidatas do concurso Miss Deficiente Visual. Segundo elas, sonhar com a atmosfera que permeia um concurso dessa natureza, cheio de glamour e beleza, não é privilégio só de quem enxerga. Para esse concurso, a diferença está nas regras, que não são as mesmas de um convencional, como altura e peso. Devido ao problema físico das concorrentes, autoestima e postura também são características levadas em consideração. Mas o desejo de vencer é o mesmo.
Do Distrito Federal, sairá uma das concorrentes da etapa nacional do Miss DV Brasil, que será realizada no Rio Grande do Norte. Ao todo 17 candidatas se inscreveram para o concurso, mas apenas dez se classificaram para a etapa final, que acontecerá no próximo dia 14. As candidatas têm idade entre 18 e 30 anos. Esse é o segundo ano que ocorre a Miss DV e a segunda vez que a massoterapeuta Leandra Dias Cordeiro, de 29 anos, disputa o título. Ela conta que participar da disputa melhorou sua autoestima, motivando os cuidados consigo mesma e ainda com mudança de hábitos em toda a família. A candidata conta que no início era difícil. Não se achava bonita e estava indecisa, mas de tanta insistência do marido e amigas acabou participando. “Todo mundo começou a me apoiar e decidi participar. Era hora de mudar os hábitos e mostrar que, independentemente de não ver as coisas como as outras pessoas, posso, sim, ser uma mulher linda e bem vestida”, afirma ela, que perdeu a visão aos 15 anos, por conta de uma bala perdida. Para 2012, conta que veio para vencer. “Mudei a alimentação, estou mais vaidosa, me preocupo com tudo que uma mulher se preocupa, que é estar linda sempre”, ressalta Leandra, que no ano passado conquistou o segundo lugar.
Entre elas, as histórias são muito parecidas: força de vontade, garra e determinação para superar obstáculos. Ainda um pouco tímida, a dona de casa Maria da Conceição Nunes de Oliveira diz que participar do Miss DV é conquistar valores. “Isso nos coloca para cima e mostra que somos capazes de qualquer coisa”, argumenta. Já a estudante Naiara da Silva Fontenelle, 19 anos, conta que, além de ter um momento de fama, o concurso possibilita novas amizades. “E ainda nos prova que somos lindas”.
O evento é apoiado pela Associação Brasiliense de Ações Humanitárias (ABA). O concurso visa não só deixar um título para uma das participantes, mas uma lição de vida. Por esse motivo, até a última semana antes da disputa, elas contam com as orientações comportamentais de um profissional.
A jovem Jéssica Gomes Vitorino garante que, antes de participar do Miss DV, ela corria das pessoas e tinha vergonha de si mesma. “Em qualquer lugar era assim, me achava feia e inferior. Hoje não. Sei o valor que tenho e sei do que sou capaz” completa a estreante na disputa.
“As pessoas ainda têm aquela imagem de que o deficiente precisa ficar dentro de casa. Somos totalmente capazes de trabalhar e fazer tudo que nos solicitarem basta termos oportunidade. Com o concurso, foi possível provar isto”, complementa a massoterapeuta Cristiana Gomes do Rego.
Motivadas e preocupadas com a aparência, as candidatas a Miss DV estão ansiosas para o dia do concurso. O evento acontecerá na Praça do Relógio, em Taguatinga Centro, no dia 14 de abril, a partir das 14h.
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