Da Redação
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Os defensores do Parque de Uso Múltiplo da Asa Sul, na 613/614 Sul, estão na luta para proteger o espaço, que ainda está em processo de organização e enfrenta problemas, como lixo, assoreamento e insegurança. A Associação Brasiliense de Ação pela Qualidade de Vida (Abravida) já colheu mais de 15 mil assinaturas em um abaixo-assinado pedindo a inclusão de mais um lote na área do parque, entre outras reivindicações.
O espaço do parque hoje é constituído pelos lotes 101, 102 e parte do 103. A Abravida alega que existe uma parte da Área de Preservação Permanente (APP) no lote 100 e pede a sua inclusão na poligonal. O terreno pertencia à Terracap, mas em 2000 foi vendido à Igreja Batista Central de Brasília. “O GDF vendeu como se fosse tudo construível e não houvesse nenhum impedimento ambiental”, explica o coordenador da Abravida, Ricardo Montalvão, que adotou a nascente.
Deslocamento
O lote 100 continua sem edificações e a nascente, que ficava a oito metros dos seus limites, em razão de vários aterros feitos para acobertar uma erosão, teve seu afloramento deslocado para dez metros abaixo, em um ponto situado a 18 metros dos limites do lote 100. “A erosão é causada pelo asfalto de um estacionamento ao lado. A água é canalizada e desce com toda a força”, explica Montalvão.
O medo dos defensores do parque é de que grandes empreendedores construam no terreno. “A gente torce para que a igreja construa, pois é uma obra que não tem grandes subsolos, mas se construírem hospitais, por exemplo, o córrego vai secar em seguida”, diz Montalvão.
O artigo 2º do Código Florestal proíbe a construção nas Áreas de Preservação Permanente situadas dentro de um raio de 50 metros ao redor de nascentes e dentro de 30 metros que margeiam os pequenos córregos e lagoas. A lagoa do Parque da Asa Sul é três vezes maior que a do Parque Olhos d’Água.
Questionamento
Em 2005, a Terracap emitiu um parecer técnico sobre a área. No documento, o órgão alega que não existia nascente no local e sim um vazamento. “A nascente não é natural, é uma surgência de águas pluviais servidas, distribuídas pela Caesb e que alcançaram o local via galerias da Novacap”. O coordenador da Abravida afirma que, “se fosse um vazamento de água tratada da Caesb, os prejuízos acumulados em tantos anos seria incalculável”.
Análise
Desconfiado do resultado, ele contratou uma empresa privada para investigar a água. O estudo concluiu que “a água é própria para o consumo humano, a nascente é natural e as características não são de águas servidas”.
Em uma análise técnica feita novamente este ano, a Terracap afirmou que “ao rever o contexto da área com uso de novos recursos tecnológicos, inexistentes à época da elaboração do laudo anterior, verifica-se que há indícios de nascentes na região do Parque de Uso Múltiplo da Asa Sul. A análise de imagem aérea do ano de 1958, anterior à urbanização de Brasília, mostra a ocorrência de terrenos brejosos e campo de murundum”.
Segundo Montalvão, essas últimas características citadas na conclusão da análise da Terracap só são possíveis em terrenos úmidos, com muita água. “É uma piada a Terracap dizer que não existia nascente no parque”, afirma.
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